Governo Alckmin condiciona diálogo à desocupação de escolas em SP

Atualizada às 18h21

Paulo Saldaña, Estadão Conteúdo

19 Novembro 2015 | 16h35

Mais de um mês depois do anúncio da reorganização escolar na rede estadual de São Paulo e uma série de manifestações e ocupações de escolas, o secretário estadual de Educação de São Paulo, Herman Voorwald, propôs um processo de discussão do projeto nas unidades e a realização de uma audiência pública. O governo Geraldo Alckmin (PSDB) não recuou da reorganização e a realização das discussões está vinculada à desocupação das escolas. 

A proposta foi apresentada pelo secretário em audiência de conciliação promovida pelo Judiciário. A ideia do governo é abrir um prazo de 5 dias para a realização dos debates. O envio de detalhes da reorganização seria encaminhado para a escola 48 horas depois da desocupação. A proposta foi recusada pelos estudantes, que pediam para que esta discussão ocorresse ao longo de 2016.  

"Continua no mesmo. Eles nunca nos ouvem. O secretário continua insistindo que a gente nao entendeu a proposta. A gente entendeu, e é por isso que estamos aqui", disse o estudante do 3º ano do ensino médio Heudes Cássio da Silva Oliveira, de 18 anos, que estuda na Escola Estadual Fernão Dias, uma das ocupadas pelos alunos contra a medida. Uma nova audiência está marcada para a próxima segunda-feira, 23.

Voorwald não garantiu que, caso as comunidades escolares se posicionem contrárias à reorganização, o governo voltaria atrás. "Os pais e alunos precisam entender a reorganização. A secretaria se compromete a analisar o que for indicado pela comunidade."

A proposta do governo estadual sugeria que fosse enviado material sobre a reorganização para que todas as escolas discutissem a medida em grupos de trabalho. Em seguida, deveriam apresentar propostas para as diretorias regionais de ensino. “Não se discute a reorganização, eu não abro mão da reorganização, porque eu tenho depoimentos de pessoas extremamente satisfeitas. Pais e alunos estão extremamente satisfeitos, não posso tirar o trabalho feito pelas diretorias para extinguir a reorganização”, afirmou o secretário. 

A crítica de alunos e especialistas em Educação, além dos sindicatos dos alunos e do próprio Ministério Público, era de que o projeto não havia sido discutido previamente. "É difícil discutir sobre o fechamento de 93 escolas", disse a presidente a Apeoesp, principal sindicato dos professores, Maria Izabel Noronha.

 

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