Governo amplia indicação de antiviral

Para conter gripe suína, Ministério da Saúde recomenda uso do oseltamivir aos primeiros sintomas de gripe; País registra quarta morte

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

17 Junho 2011 | 00h00

Diante da chegada do inverno e da tendência de surgimento de novos casos de infectados pelo vírus H1N1, o Ministério da Saúde ampliou a recomendação do uso do antiviral oseltamivir entre pacientes com gripe. Agora, todos que apresentem fatores de risco devem tomar o remédio aos primeiros sinais da doença. Ontem, o Rio Grande do Sul confirmou a quarta morte neste ano.

"Essas pessoas não devem esperar os sintomas se agravarem ou a confirmação laboratorial", avisou o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa.

Além disso, qualquer pessoa que apresente sinais de síndrome respiratória aguda deve tomar a droga - independentemente de quando os primeiros sintomas apareceram. Pela recomendação anterior, o início do tratamento era permitido apenas até 48 horas contadas a partir dos primeiros sinais da infecção.

Moradores de instituições fechadas, como asilos, e portadores de doenças crônicas que não foram vacinados deverão também tomar o remédio quando tiverem contato com outra pessoa infectada.

Embora descarte a possibilidade de uma epidemia, Barbosa reconhece o risco de aparecimento de pequenos grupos com pessoas infectadas pelo vírus em pontos isolados do País. Neste ano foram registrados 10 casos graves no Rio Grande do Sul. Ontem, mais uma morte foi notificada no Estado, aumentando para quatro o número de casos fatais em 2011. Além disso, outras 19 infecções foram identificadas no Acre, nenhuma delas grave.

"Houve casos isolados no Chile, México e Venezuela. Não descartamos a possibilidade de que no Brasil haja pacientes com a infecção que não foram identificados", disse Barbosa.

A nova recomendação, feita depois de discussão com médicos especialistas, foi apresentada para representantes de Estados e municípios. Secretarias locais foram aconselhadas a fazer um levantamento dos estoques do remédio. Caso seja necessário, o ministério fará um novo envio para repor estoques.

No caso de pacientes atendidos em instituições particulares, o medicamento poderá ser retirado em unidades da Farmácia Popular mantidas pelo governo, desde que seja apresentada a receita médica.

De acordo com o secretário, o estoque de oseltamivir no Brasil é considerável. Cerca de 70% do produto disponível deverá vencer entre 2013 e 2015. Negociações para que o estoque seja renovado pelo fabricante já começaram. "É praxe em compras grandes que a troca seja feita, para evitar perdas para o País."

Barbosa afirmou que o formato adotado agora no Brasil na indicação do antiviral já é usado em países como Chile, Estados Unidos e Canadá. A tese de que a distribuição mais flexível do oseltamivir pode facilitar a resistência do H1N1 à droga foi rebatida pelo secretário. "O remédio está disponível para tratar casos de risco. Se esse raciocínio fosse adotado, não daríamos também antibiótico para nenhum paciente, pois o uso também pode aumentar a resistência."

Epidemia. O auge da epidemia de gripe suína foi em 2009, quando o Brasil registrou 46,1 mil casos graves e 2.051 mortes. Em 2010, 89,5 milhões de brasileiros foram vacinados e o número de casos caiu drasticamente: foram 801 graves e 104 mortes. Em 2011, o vírus H1N1 foi incluído na composição da vacina utilizada na campanha, que teve cobertura de 81,5%.

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