Governo barra ofensiva de oposição para Palocci ir à Câmara

No primeiro dia de forte ofensiva da oposição para levar ao Congresso o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, a prestar explicações públicas sobre o seu aumento patrimonial, a base do governo usou sua força e conseguiu evitar um possível constrangimento ao ministro.

JEFERSON RIBEIRO, REUTERS

18 de maio de 2011 | 21h03

Apesar dos esforços, a oposição não conseguiu aprovar no plenário da Câmara dos Deputados dois requerimentos para tentar chamar o ministro à Casa. O objetivo é obter esclarecimentos de Palocci sobre o aumentou em até 20 vezes de seu patrimônio desde 2006, conforme publicou o jornal Folha de S. Paulo no domingo .

O tema foi levado a plenário depois da manobra do governo, com o apoio da vice-presidente da Câmara, Rose de Freitas (PMDB-ES), de abrir os trabalhos por volta das 10h. Isso impediu o funcionamento das comissões, já que o regimento interno da Casa não permite deliberações enquanto há votações no plenário.

Havia requerimentos para chamar Palocci a três comissões, de Fiscalização e Controle, Agricultura e Finanças e Tributação, que ficaram inviabilizados.

Apesar da estratégia usada no Congresso, o governo adotou o silêncio sobre o caso nesta quarta. No dia em que foi publicada a reportagem, o ministro divulgou nota afirmando que toda sua evolução patrimonial consta em declaração de Imposto de Renda.

Na terça-feira, houve mais uma tentativa de aclarar as informações sobre o patrimônio do ministro e a sua empresa, a Projeto. A Casa Civil enviou nota por email a senadores sobre o funcionamento da empresa.

Além disso, o comunicado cita o nome de outros ex-ministros e ex-diretores do Banco Central que também se tornaram consultores e diz que passar pelo Ministério da Fazenda e BC propicia experiência e dá "enorme valor".

A estratégia não deu resultado e acabou alimentando o noticiário desta quarta e mantendo vivas as acusações contra Palocci. Um assessor do Palácio disse à Reuters, sob a condição de anonimato, que o email não deveria ter sido distribuído a todos os senadores. Contudo, a fonte não explicou qual era o objetivo inicial do governo.

Nesta quarta, membros do governo e líderes aliados expressaram controle da situação, mas evitaram comentar hipóteses e possíveis desdobramentos do caso.

"Externamente tem muito barulho, mas internamente quase nenhum", resumiu o ministro da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho. Segundo ele, a presidente continua apoiando integralmente o ministro e confia nas suas explicações.

FATOS NOVOS

Há preocupações, no entanto, com o aparecimento de fatos novos que podem colocar o ministro na berlinda, como a divulgação do nome de alguma empresa que tenha contratado os serviços de consultoria de Palocci ou ainda a divulgação do faturamento da empresa.

"Talvez falte a divulgação da lista de clientes, mas por que ele tem que fazer isso?", questionou Carvalho.

Perguntado sobre esses possíveis desdobramentos, o vice-presidente Michel Temer reafirmou sua confiança em Palocci, mas disse que "não tem conhecimento de detalhes" sobre as atividades da consultoria Projeto.

"Eu conversei hoje (quarta) com o ministro Palocci e ele me pareceu, pelo menos ao telefone, muito tranquilo", disse o vice. Segundo Temer, porém, o chefe da Casa Civil não demonstrou interesse em fazer qualquer esclarecimento adicional.

A oposição, contudo, promete voltar à carga para buscar mais informações. "Nós não vamos abrir mão do nosso direito de tentar convocar o ministro Palocci para dar explicações no Congresso Nacional", disse o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (PT).

O líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), se mostrou tranquilo e disse que o governo derrotará a oposição nas comissões em que o requerimento for apresentado, "assim como fizemos no plenário".

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