Governo brasileiro espera visita do pontífice no País em julho

Segundo o Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff 'manifestou satisfação' pela escolha do papa

RAFAEL MORAES MOURA , TÂNIA MONTEIRO , BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2013 | 04h25

A escolha do argentino Jorge Mario Bergoglio para papa demonstra o reconhecimento da Igreja à América Latina, disse ontem o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. O governo brasileiro aguarda a vinda do pontífice para a Jornada Mundial da Juventude, que ocorrerá de 23 a 28 de julho no Rio de Janeiro.

"A presidenta Dilma manifestou nossa satisfação pela escolha do papa Francisco, e nós temos de nos alegrar muito como latino-americanos. Este é o primeiro aspecto para nós, da maior importância: o fato histórico de termos pela primeira vez um papa do nosso continente, que é o continente hoje com o maior contingente de católicos no mundo", disse Carvalho. "O continente começa a ter, finalmente, reconhecimento e uma influência nos destinos da Igreja Católica."

Em nota, a presidente Dilma Rousseff disse que "o Brasil acompanhou com atenção o conclave e a escolha do primeiro papa latino-americano", congratulando Francisco. "É com expectativa que os fiéis aguardam a vinda do papa Francisco I ao Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude, em julho. Essa visita, em um período tão curto após a escolha do novo pontífice, fortalece as tradições religiosas brasileiras e reforça os laços que ligam o Brasil ao Vaticano."

De acordo com Carvalho, a presidente Dilma Rousseff deverá enviar uma carta reiterando o convite para que o novo pontífice esteja presente ao evento. Na agenda oficial, estão previstos pelo menos dois encontros da presidente com o novo papa durante a jornada: o primeiro encontro ocorreria no Palácio Laranjeiras, onde haveria uma reunião privativa; e, o segundo, na missa principal, em Guaratiba.

"O Brasil é um país laico, um estado laico, mas isso não quer dizer que é um Estado ateu, respeita todas as religiões, todas as opiniões democraticamente, então não nos cabe fazer considerações. Para nós, o mais importante são as convergências que podemos ter entre um projeto de país e a Igreja Católica ou as igrejas em geral", disse Carvalho.

Questionado se o Palácio do Planalto espera estreitar as relações com o Vaticano, Carvalho respondeu: "O Planalto espera manter o padrão de relações que nós temos, que é extraordinário. Temos comparecido, sempre que convidados, a todas cerimônias no Vaticano, nos honramos com nossos representantes em Roma, com nossos cardeais".

O governo brasileiro foi criticado por ter demorado a se pronunciar sobre a renúncia de Bento XVI - uma demora que foi encarada como uma resposta a confrontos passados entre a presidente e a Igreja. Durante a campanha eleitoral de 2010, Dilma foi questionada por setores conservadores sobre suas posições relacionadas ao aborto.

Um assessor palaciano destacou que a nota endereçada ao novo papa possui um tom mais efusivo que a anterior, encaminhada a Bento XVI.

Para o ministro Gilberto Carvalho, o fato de um brasileiro não ter sido eleito papa não deve causar frustração. "Não é um campeonato (de futebol). Claro que a nossa alegria seria muito grande, se fosse um papa brasileiro. Certamente ser argentino vai provocar muitas brincadeiras entre o povo brasileiro, mas eu quero dizer que o povo argentino é um povo para nós cada vez mais próximo, amigo, fraterno. As nossas diferenças no futebol vamos resolver no campo específico."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.