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Governo busca ampliar margem para passar mínimo com folga

O governo trabalha por uma vitória folgada na votação da política de reajuste do salário mínimo na quarta-feira, no primeiro teste da presidente Dilma Rousseff no plenário da Câmara, e conta com ao menos 272 votos até agora, considerando apenas os partidos da base aliada que dizem estar fechados com a proposta de 545 reais (PT, PMDB, PP, PR e PTB).

REUTERS

14 de fevereiro de 2011 | 21h13

Para aprovar a proposta, o Executivo precisa da maioria dos votos dos deputados que estiverem no Plenário. Ou seja, se os 513 votarem, são necessários 257 votos para a vitória. É raro quando todos os parlamentares votam.

Desde a semana passada, o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, e o ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, vêm mantendo reuniões com os líderes da base aliada para convencê-los de que o governo não pode conceder um reajuste maior neste ano.

Até quarta-feira, data da votação, o objetivo dos governistas é reduzir ao mínimo possível as resistências ao valor de 545 reais. Para isso, foi montada uma estratégia que vai atrás de votos até nos partidos de oposição.

O valor do salário mínimo tem forte impacto nas contas públicas, via Previdência Social. Na semana passada, a equipe econômica anunciou um corte de gastos de 50 bilhões de reais e afirmou que esta redução permite um reajuste do mínimo para 545 reais neste ano.

No PDT, partido que tem sofrido a maior pressão dos sindicalistas para votar contra o governo, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, irá se reunir com a bancada na terça-feira e argumentar a favor do governo.

Entre os pedetistas, o Executivo quer neutralizar o discurso do deputado-sindicalista Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), que defende um salário mínimo de 580 reais e negocia paralelamente com a oposição o apoio a uma emenda de 560 reais.

Lupi terá que convencer inclusive o líder da bancada, deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA), que pessoalmente é defensor de um mínimo de 560 reais, propondo que os 15 reais adicionais sejam subtraídos do reajuste do mínimo de 2012.

"Eu defendo a tese de que o governo pode e deve dar um reajuste para 560 (reais). Isso vai alimentar a base social", avalia.

Nos cálculos do Planejamento, cada real a mais no salário mínimo tem impacto mensal de aproximadamente 286,4 milhões no Orçamento da União.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também integra a operação. No plenário da Câmara, Mantega defenderá na terça-feira a proposta do governo e responderá a perguntas dos parlamentares e sindicalistas sobre o tema. O ministro Luiz Sérgio também estará na Comissão Geral do Salário Mínimo.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, também vai ao Congresso na véspera da votação para convencer os deputados e tirar dúvidas. Ele vai se reunir com a bancada tucana, com parlamentares do DEM e com o PSB.

A líder do PSB, deputada Ana Arrais (PSB-PE), disse à Reuters que a bancada quer ouvir os argumentos do governo e das centrais sindicais para fechar sua decisão, mas indica que o partido deve descarregar seus 34 votos em favor do Executivo.

"Somos da base e temos confiança na presidente. Sabemos que se ela tivesse em outra situação daria um aumento maior. Acho que o governo vai ter uma vitória folgada na votação", disse. Caso o PSB apoie os 545 reais, o governo pode ter mais de 300 votos a seu favor na quarta-feira.

ATO DAS CENTRAIS

O Executivo sabe que precisa trabalhar com uma boa margem de vantagem, porque há insatisfações individuais por nomeações no segundo escalão e com o corte das emendas em todos os partidos da base aliada. É o caso, por exemplo, do PMDB, que está descontente pelas escolhas do setor elétrico.

De outro lado, na terça ainda, as centrais sindicais prometem fazer um ato na Câmara pelo reajuste de 580 reais e um aumento de 10 por cento para os benefícios dos aposentados que recebem mais que um salário mínimo. A CUT admitiu pela primeira vez, nesta terça, reduzir a demanda para 560 reais.

A abertura de diálogo é usada combinada à estratégia de pressão do governo aos aliados. "Quem votar contra os 545 reais está votando com a oposição. Não tem vacilo", afirmou Vaccarezza.

O relator do projeto, deputado Vicentinho (PT-SP), vai manter reuniões com as principais centrais sindicais, Força Sindical e CUT, na terça e na quarta, respectivamente.

"Eles (os sindicalistas) têm me ligado e dito que é importante manter o acordo com o governo, mas que seria bom se conseguíssemos um acordo para um reajuste de 560 reais, na forma de antecipação do aumento do ano que vem", contou.

Contudo, ele diz que só fará essa mudança no projeto se houver um novo acordo que envolva os partidos aliados, o governo e as centrais.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

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