Governo Bush amplia programa de abstinência sexual

O governo dos Estados Unidos ampliou às pessoas de até 29 anos de idade os programas de ensino sobre abstinência sexual, destinados até agora apenas aos adolescentes. A esperança do governo é evitar gravidez não desejada e doenças sexualmente transmissíveis, apesar das incógnitas sobre a eficácia do programa.A mensagem é simples: se a pessoa não tem relações sexuais, não corre o risco de adquirir doenças e as mulheres, de engravidar indesejadamente. Para esta filosofia, nenhum outro método é mais profilático e contraceptivo que a abstinência, segundo o governo.Uma filosofia similar inspira o plano de US$ 15 bilhões prometido pelo presidente George W. Bush para combater a aids na África.A maioria dos programas insiste na abstinência sexual dos solteiros, na fidelidade dos casados e na pouca menção aos preservativos e a outros métodos contraceptivos.CampanhaOs programas escolares que instruem os adolescentes sobre a abstinência sexual - e que não mencionam anticoncepcionais ou métodos profiláticos - existiram por décadas, mas só começaram a receber fundos do governo federal a partir 1996.Na época, o Congresso, que tinha maioria republicana em suas duas câmaras, aprovou uma reforma do sistema de assistência social promulgada pelo então presidente Bill Clinton, que iniciou o uso de fundos federais para grupos comunitários e religiosos que tratassem do polêmico assunto.Quando Bush chegou à Casa Branca, em janeiro de 2001, o governo dedicava cerca de US$ 100 milhões por ano para tais programas. Agora, a quantia é de aproximadamente US$ 300 milhões anuais. A maior parte destes fundos é administrada por grupos privados, vários deles, organizações religiosas evangélicas.Em um país onde mais de 90% das pessoas entre 20 e 29 anos de idade têm ou tiveram relações sexuais, a administração Bush ampliou a elas a campanha em favor da abstinência.Em 2005, 46 Estados solicitaram os fundos para os programas de abstinência em escolas, clubes de bairro e organizações inspiradas por grupos religiosos."Pode ser que Bush seja sincero, mas ele está mais preocupado em satisfazer sua base política e dar mais atenção à ideologia que aos fatos", disse Michael McGee, vice-presidente da Federação de Planejamento Familiar dos EUA."A abstinência é um dos maiores desafios da direita religiosa a respeito da saúde sexual do país", disse McGee.O vice-presidente da Federação de Planejamento Familiar afirmou que o movimento a favor da instrução sobre a abstinência sexual "teve um impacto intimidante nas salas de aula: basta que um pai ou uma mãe se queixe pelo que é dito a seus filhos para que toda a escola fique arruinada".O secretário adjunto para crianças e famílias no Departamento de Saúde e Recursos Humanos, Wade Horn, disse que a extensão dessa campanha para as pessoas entre 20 e 29 anos de idade é uma resposta ao fato de que, nesse grupo, há o maior número mães solteiras nos Estados Unidos.De acordo com os números do governo, em 2003 houve 998.262 nascimentos de crianças de mães solteiras entre 19 e 29 anos de idade, grupo que mostra o índice mais alto de nascimentos entre mulheres nesse estado civil."A mensagem que queremos passar é que é melhor esperar se casar para ter filhos", disse Horn. "A única maneira 100% segura de se conseguir isso é a abstinência sexual", acrescentou.O funcionário afirmou que não se trata de uma nova política, mas sim de um esclarecimento sobre o programa que já existe, com o objetivo de "lembrar os Estados que eles podem usar esses fundos, e que eles não precisam se limitar aos adolescentes"."Nos últimos 25 anos, os programas que promovem a ´abstinência até o casamento´ mentiram sobre a eficácia dos preservativos e o governo evitou várias vezes pedir a prestação de contas a eles", disse o vice-presidente de Conselho de Informação e Educação Sexual, William Smith.Contrário à política do governo, este grupo, com sede em Washington, distribui materiais impressos sobre educação sexual a professores e famílias.

Agencia Estado,

03 de novembro de 2006 | 14h06

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