Governo central dobra superávit primário em outubro

Num momento em que o governo cumpriu quase a totalidade da meta de superávit primário com dois meses de antecedência, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, afirmou que há uma preocupação com o crescimento da economia no ano que vem, e que pretende usar os ajustes da política monetária e fiscal para garantir a expansão da atividade.

TIAGO PARIZ, REUTERS

23 de novembro de 2011 | 13h57

"A nossa preocupação é com a atividade econômica em 2012", afirmou Augustin em entrevista à imprensa. "A parte fiscal e monetária e toda política do governo se adequa ao ano. Hoje tem um mix, que é adequado, que significou um primário maior em 2011. Para 2012, vamos ver", disse ele nesta quarta-feira.

Ele reforçou que neste momento a meta de crescimento para o ano que vem continua em 5 por cento e a ideia é cumprir o superávit primário em sua totalidade em 139,8 bilhões de reais.

Inicialmente o governo previa excluir 25 bilhões de reais dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas acabou retirando essa possibilidade do Orçamento 2012.

"A preocupação com manter o crescimento no Brasil é permanetne e é o que temos feito... Qual ação vamos tomar tem a ver com a análise que se faz permanente das variáveis econômicas," afirmou. "A avaliação que temos é que vamos cumprir primário cheio e achamos que o mix de 2011 é bom", afirmou Augustin, lembrando que neste ano eles elevaram em 10 bilhões a meta de superávit primário.

Com a queda na taxa de juros, o Ministério da Fazenda está sendo pressionado por fazer o ajuste fiscal para garantir espaço para o Banco Central reduzir ainda mais a Selic.

SEGUNDO MELHOR

O governo central registrou superávit primário de 11,268 bilhões de reais em outubro, o dobro da cifra vista em setembro, quando a economia feita para pagamento de juros ficou em 5,435 bilhões de reais.

No acumulado do ano, o superávit estava em 86,601 bilhões de reais, ou quase 95 por cento da meta total para 2011, de 91,8 bilhões de reais. O dado de outubro e do período só perdem para os valores registrados em 2008 para o mês e para o acumulado. A cifra até outubro representa 2,59 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Tesouro.

A meta do setor público do superávit primário é de 127,8 bilhões de reais neste ano. Agustin disse que se o estados e municípios não conseguirem cumprir a meta, o governo central vai fazer economia a mais. "Se não atingirem, a nossa intenção é completar," afirmou o secretário do Tesouro.

No mês passado, os investimentos em outubro caíram para 34,8 bilhões de reais, movimento antecipado a Reuters . No mesmo período do ano passado, os investimentos estavam em 36,1 bilhões de reais, uma queda de 3,6 por cento, conforme o Tesouro.

Os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento PAC) somaram 20,8 bilhões de reais entre janeiro e outubro, alta de 17,7 por cento na comparação com o mesmo período do ano passado.

Para o resultado de outubro, o Tesouro Nacional contribuiu com um saldo positivo de 12,668 bilhões de reais, enquanto a Previdência foi deficitária em 1,328 bilhão de reais e o Banco Central em 72 milhões de reais.

Para atingir o resultado primário do mês passado, o governo central teve uma receita líquida total, que exclui transferências a Estados e municípios, de 71,467 bilhões de reais e uma despesa total de 60,199 bilhões de reais. No acumulado do ano, a receita está em 672,354 bilhões de reais e as despesas em 585,752 bilhões de reais.

As transferências a Estados e municípios totalizaram 15,247 bilhões de reais em outubro, contra 9,633 bilhões de reais em setembro.

A receita bruta do Tesouro cresceu para 68,853 bilhões de reais em outubro, alta de 8,944 bilhões de reais na comparação com setembro.

(Edição de Patrícia Duarte e Vanessa Stelzer)

Tudo o que sabemos sobre:
MACRORTNATUALIZA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.