Governo cria rede para testes clínicos no RJ

O Ministério da Saúde anuncia a criação de uma rede inédita no Rio, formada por unidades federais, onde serão realizados tratamentos e procedimentos cirúrgicos em fase de pesquisa clínica - ou seja, de testes em humanos. Com isso, o governo pretende acelerar o ritmo, ainda lento, do desenvolvimento de tecnologia nacional em saúde e, conseqüentemente, reduzir o déficit comercial na área, que hoje é de US$ 5 bilhões ao ano, segundo dados oficiais. O primeiro passo para a criação da Rede Rio de Pesquisa Clínica, que deve ser lançada em um mês, foi dado com a assinatura de um acordo de cooperação técnica entre o Instituto de Pesquisa Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Hospital de Ipanema. A partir de agora, leitos da unidade estarão disponíveis para pacientes que se enquadrem em protocolos de pesquisa na área de doenças infecto-contagiosas e parasitárias. "O foco é desenvolver tecnologias que possam estar à disposição da população no Sistema Único de Saúde (SUS). Uma comissão vai avaliar se uma determinada tecnologia vai ou não ser incorporada", disse ao secretário de Atenção à Saúde, José Gomes Temporão, explicando que a aplicação vai se dar em áreas prioritárias para a saúde pública, que ainda estão em levantamento. Ao contrário da Rede Brasileira de Pesquisa Clínica - que ainda está sendo estruturada e conta hoje com 20 hospitais gerais, além do Instituto Nacional de Câncer (Inca) - no Rio vão estar reunidos o Inca, o Instituto Nacional de Cardiologia Laranjeiras (INCL), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Fiocruz, além de outras instituições com um perfil diferenciado. Entre elas, unidades de referência no tratamento das duas principais causas de morte no Brasil: doenças cardiovasculares e câncer. Temporão destacou ainda o caso do INCL, onde estão sendo realizadas pesquisas com células tronco para o tratamento de cardiopatias. Uma vez comprovada a eficácia do procedimento, ele passará por uma avaliação para ser incorporado ao SUS. "Teria um impacto em termos de custo, tecnologia, leitos. Um técnica simples, muito mais barata e com um impacto sanitário brutal. As cirurgias de revascularização feitas hoje deixariam de ter sentido", disse o secretário.

Agencia Estado,

10 de agosto de 2006 | 18h29

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.