Governo da China anuncia proibição do etanol de milho

Aumento de preço levou à decisão. Empresas terão de se adaptar ao uso de batata doce, sorgo e mandioca

Marina Wentzel, BBC

17 Julho 2007 | 09h06

A China anunciou nesta terça-feira que vai parar de produzir etanol à base de milho. Raízes como a batata doce, mandioca e sorgo substituirão o grão. As usinas produtoras do combustível terão um prazo de cinco anos para se adaptar. A decisão de banir o etanol de milho foi tomada há poucas semanas, porque o uso do grão na produção do combustível fez a demanda e o preço do milho aumentar muito. Apesar das safras recordes, o preço do milho sobe. Em 2006, o valor médio do quilo de milho cultivado na China chegou a 1,2 yuan (R$ 0,30), um aumento de 3% em relação ao ano anterior. O milho ainda é a principal matéria prima do etanol. Até recentemente, 100% da produção o etanol vinha sendo feita de milho, segundo a agência de notícias estatal Xinhua. Mas a província central de Henan já mudou 20% da sua produção para mandioca. Por ter uma capacidade agrícola limitada e uma grande população, de 1,3 bilhão de pessoas, a China optou por dar prioridade ao uso do milho para a produção de alimentos. Xiong Bilin, vice-diretor da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR), disse à imprensa estatal que a mudança de matéria prima na fabricação do álcool não vai ser cara nem complicada. Atualmente, a China é o terceiro maior produtor mundial de etanol, atrás apenas do Brasil e dos Estados Unidos. A China quer dobrar a sua capacidade de processar etanol dentro dos próximos três anos. O país espera pular de 1 milhão de toneladas para 2 milhões de toneladas ao ano até 2010. "Atingir nossa meta para 2010 não vai ser um problema", acredita Xiong. Segundo agências internacionais, a meta de dois milhões de toneladas foi revisada. Originalmente, a China ambicionava chegar a produzir 5 milhões de toneladas. Xiong ressaltou que ainda assim o país está determinado a diminuir o consumo de combustíveis fósseis para economizar energia e combater o aquecimento global. Em nove províncias a gasolina e o óleo diesel já são vendidos com uma mistura de 10% de álcool. No ano passado, esse consumo correspondeu a 1,3 milhões de toneladas de etanol. "O país vai gradualmente substituir petróleo por etanol como principal combustível de sua indústria química", explicou Xiong. O governo está considerando oferecer 5% de reembolso fiscal para os produtores de etanol. Além de dar mais de mil iuans (R$ 250) em subsídios por tonelada processada. De acordo com o jornal China Daily, a demanda anual de combustíveis da China é de mais de 50 milhões de litros. A maior parte dela ainda é suprida pelo petróleo. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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