Governo da Costa do Marfim acusa aliados de Gbagbo por ataques

Combatentes leais ao ex-presidente da Costa do Marfim Laurent Gbagbo estão por trás de uma série de ataques que mataram desde domingo 10 soldados em Abidjã, centro comercial do país, disse o ministro do Interior, Hamed Bakayoko, nesta terça-feira.

JOE BAVIER, Reuters

07 de agosto de 2012 | 14h52

Os ataques a alvos militares e policiais aumentaram os temores de novo período de agitação no país do oeste africano, que emerge de uma década de instabilidade política que terminou no ano passado em uma breve guerra civil.

"(Os agressores) faziam parte de uma rede de milícias e soldados pró-Gbagbo", disse Bakayoko à Reuters. "Temos prova formal. Temos as confissões daqueles que nós prendemos ontem com armas e munições perto da cena do ataque."

Homens armados abriram fogo contra uma delegacia de polícia em Abidjã e uma barreira militar próxima, na manhã de domingo, matando cinco soldados. Cinco outras pessoas morreram quando militantes fortemente armados lançaram um ataque a um acampamento militar no leste da cidade, um dia depois.

O Ministério da Defesa afirmou na segunda-feira que os ataques, que seguem uma série de atentados com mortes na fronteira, lançados por militantes baseados na Libéria desde o fim da guerra civil, tinham o objetivo de "desestabilizar as pessoas ... e investidores".

A Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau, foi o motor econômico da África Ocidental antes de uma crise política dividir o país em dois, uma década atrás, estabelecendo as bases para a guerra civil do ano passado.

Cerca de 3.000 pessoas morreram na violência, que irrompeu após Gbagbo se recusar a aceitar a vitória do rival Alassane Ouattara na eleição realizada no final de 2010.

Gbagbo foi capturado durante a batalha por Abidjã, em abril do ano passado, e agora está em Haia, na Holanda, aguardando julgamento no Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra.

Um ex-conselheiro e porta-voz de Gbagbo agora vivendo no exílio, Toussaint Alain, rejeitou as acusações do ministro do Interior e pediu uma investigação imparcial sobre a violência.

"Estas acusações não se sustentam. Se o sr. Bakayoko está segurando os culpados, ele deveria apresentá-los ao mundo inteiro", disse ele.

"Estes ataques expõem o fracasso e a incapacidade de Ouattara estabilizar a situação de segurança e estabelecer um clima de paz duradouro."

Ouattara, agora presidente, declarou em uma mensagem transmitida na televisão estatal na segunda-feira que tinha dado ordens para "combater sem misericórdia" aqueles que tentam criar um sentimento de insegurança na Costa do Marfim.

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