Governo de facto hondurenho tenta formar nova missão de paz

O governo de facto de Honduras convidou figuras importantes de vários países, incluindo Colômbia Canadá, para formar uma missão que ajude a solucionar a crise gerada no país após o golpe de Estado que derrubou o presidente Manuel Zelaya.

GUSTAVO PALENCIA E GABRIELA DONOSO, REUTERS

31 Julho 2009 | 07h36

Na comitiva, se destaca o ex-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, informou o governo do presidente interino Roberto Micheletti, na quinta-feira, numa jogada considerada por alguns como uma intenção de convencer os hondurenhos de que se pode achar uma solução para o conflito.

"Esta comissão convidada seria formada por personalidades importantes e representantes de Panamá, Colômbia, Canadá, El Salvador e Guatemala. Entre eles se destaca o senhor Enrique Iglesias... que considerou aceitar o convite", disse um comunicado entregue a jornalistas.

A formação de uma missão e a participação de Iglesias foi solicitada por Micheletti ao mediador da crise, o presidente da Costa Rica, Oscar Arias.

Em uma entrevista coletiva, Micheletti reiterou que está disposto a deixar o poder a um terceiro líder que não seja Zelaya.

"Eu disse com toda clareza, e repito de novo, que se houver uma solução na qual eu tenha que me retirar, farei com muito gosto, mas desde que Zelaya não retorno como governante", disse.

Mas o descontentamento no país continuava e um protesto de centenas de simpatizantes de Zelaya foi dispersado por policiais com uso de gás lacrimogêneo e tiros, que causaram vários feridos, alguns em gravidade, de acordo com um médico.

Cerca de 60 manifestantes foram presos, disse a polícia, acrescentando que dois feridos tinham sido atingidos por balas. Segundo investigações preliminares da polícia, os tiros teriam sido disparados pelos manifestantes e não pelas forças de segurança.

Os Estados Unidos e quase toda a comunidade internacional defendem o regresso de Zelaya ao poder para que cumpra seu mandato até janeiro. Mas o governo de facto, a Suprema Corte hondurenha e o Congresso -- que apoiaram o golpe -- são totalmente contra a volta do presidente deposto à Presidência.

Da Nicarágua, onde está exilado, Zelaya disse que vai apresentar acusações na Corte Penal Internacional contra vários líderes do golpe, incluindo Micheletti e o chefe do Estado Maior, Romeo Vásquez.

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