Governo do Egito proíbe novas manifestações

O Egito disse na quarta-feira que irá proibir protestos e prender manifestantes, para que não se repita a inédita mobilização popular da véspera contra o presidente Hosni Mubarak.

ALEXANDER DZIADOSZ E YASMINE SALEH, REUTERS

26 de janeiro de 2011 | 10h40

Ativistas responsáveis pelo "Dia da Ira" usaram a Internet para convocar novas manifestações na quarta-feira contra Mubarak, que governa o Egito desde 1981. Pelo menos três manifestantes e um policial morreram na terça-feira nos protestos em várias cidades do país.

No começo da madrugada de quarta, a polícia usou gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar manifestantes que ocupavam a praça Tahrir, no centro do Cairo. Ao amanhecer, a calma havia sido restabelecida na capital e em outras cidades, mas um grande número de policiais continuava na praça.

Enquanto garis retiravam pedras e destroços das ruas, o jornal estatal Al Masry al Youm chegava às bancas com uma ameaçadora manchete em letras vermelhas: "Alerta".

"Nenhum movimento provocativo ou reunião ou organização de marchas ou manifestações será tolerado, e medidas legais imediatas serão tomadas, e os participantes serão entregues às nossas autoridades investigativas", disse o Ministério do Interior, segundo a agência estatal de notícias Mena.

Inspirando-se na rebelião popular que derrubou o governo da Tunísia neste mês, cerca de 20 mil manifestantes foram às ruas na terça-feira para exigir a renúncia de Mubarak e protestar contra a pobreza, o desemprego, a corrupção e a repressão.

"Para qualquer cidadão livre e honesto que tenha consciência e tema por seu país, para quem tiver visto a violência de ontem contra os manifestantes, pedimos a você que pronuncie uma greve geral em todo o Egito hoje e amanhã", escreveu um ativista no site Facebook, que tem sido usado como tribuna pelos dissidentes.

Um grupo de oposição, a Juventude do 6 de Abril, usou sua página no Facebook para convocar protestos na quarta-feira, "e depois de amanhã, e até que Mubarak saia".

Algumas exigências políticas foram postadas no Facebook e distribuídas em filipetas na praça Tahir, antes que a polícia interviesse.

Tais exigências incluem a renúncia de Mubarak e do primeiro-ministro Ahmed Nazif, a dissolução do Parlamento e a formação de um governo de unidade nacional. Um sindicalista usou um megafone para repetir essas exigências à multidão.

Cerca de 40 por cento dos 80 milhões de egípcios vivem com menos de 2 dólares por dia, e um terço da população é analfabeta.

(Reportagem adicional de Dina Zayed)

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