Governo do MT define até quarta nova data de concurso

O governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, irá definir até quarta-feira o novo calendário do concurso público do Estado para seleção de 10 mil novos servidores, suspenso ontem. O governador se reuniu hoje pela manhã com o secretário de Administração, Geraldo de Vitto Jr, o secretário de Gestão de Pessoas da secretaria, Bruno Martins, e os delegados fazendários Massao Ohara e Lusia de Fátima Machado para avaliar medidas adicionais à retomada do exame.

VENILSON FERREIRA, Agencia Estado

23 de novembro de 2009 | 19h50

Maggi reforçou que não há indícios de fraude e que a decisão de suspender o concurso ocorreu quando houve a distribuição, pela manhã, da prova que seria a aplicada à tarde. Ele explicou que todas as provas chegaram lacradas nos locais de realização e que o transporte dos malotes com o conteúdo do teste foi acompanhado pela Polícia Militar, Polícia Civil e equipe da Delegacia Fazendária, que acompanham as investigações.

No Ministério Público Estadual, os peritos do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) realizam nesta segunda-feira, em Cáceres, a 225 km a oeste de Cuiabá, a perícia nos computadores apreendidos em residências de pessoas envolvidas, direta ou indiretamente, no concurso realizado pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). Os equipamentos foram apreendidos no último fim de semana.

O procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado, coordenador do Gaeco, afirmou que todas as informações obtidas durante a perícia serão analisadas pelos promotores que atuam no caso. Segundo ele, o cumprimento dos mandados de busca e apreensão foi motivado por denúncias de eventuais fraudes.

"Ante as notícias de possível fraude, tivemos que tomar medidas acautelatórias para averiguar a veracidade ou não das informações. Foram apreendidos computadores, mas somente após perícia será possível concluir se houve ou não fraude, dolo. Temos obrigação funcional de apurar, mas temos também o dever de fazer um trabalho sério e imparcial. Não vamos dizer que houve fraude sem comprovação. Qualquer conclusão antes da perícia é precipitada", afirmou o procurador.

Prado afirmou que, em princípio, a anulação do concurso não tem nenhuma relação com a investigação criminal que está sendo realizado pelo Gaeco. "O concurso foi anulado em razão da total desorganização. Provas que eram para ser realizadas à tarde foram entregues pela manhã. Candidatos a um cargo receberam provas para outro cargo.

Outros não tiveram acesso ao local de realização das provas por falta de organização. Isso tudo é suficiente para anular o concurso e demonstra que a decisão do governador foi corretíssima", disse ele. O procurador defende o afastamento da Unemat do concurso, "pois os fatos demonstram por si só a falta de estrutura da instituição para realização de concurso com tamanha envergadura".

O concurso público suspenso ontem, no qual 274 mil inscritos concorrem a 10 mil vagas, está sendo auditado pela consultoria RankBrasil para ser incluído no livro dos recordes como o maior do gênero no País, segundo informação do governo de Mato Grosso.

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