Governo do Rio não comenta ação policial em protestos

O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) recusou-se a comentar a ação policial na repressão aos protestos violentos ocorridos ontem à noite no centro. Por intermédio da assessoria de imprensa do Palácio Guanabara (sede do governo estadual), ele delegou à Polícia Militar (PM) a tarefa de responder ao Estado sobre a demora das tropas policiais em agir.

ADRIANO BARCELOS, FÁBIO GRELLET,FELIPE WERNECK, SERGIO TORRES, Agência Estado

07 Outubro 2013 | 22h53

Até a conclusão a noite desta segunda-feira, a PM não se manifestou. Os telefones para contato com jornalistas não eram atendidos. O porta-voz da corporação, tenente-coronel Cláudio Costa, não atendia o telefone celular durante os protestos e combates. Segundo profissionais do Serviço de Comunicação da PM, ele estava nas ruas acompanhando o trabalho policial.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio também decidiu não fazer comentários a respeito da violência dos protestos e da ausência de policiamento preventivo, o que poderia ter evitado o ataque à Câmara de Vereadores, o incêndio em um ônibus e a destruição de bancos e prédios.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança, caberia à PM se manifestar acerca dos problemas que ocorreram durante e após a manifestação convocada pelo Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe).

Os problemas começaram na Cinelândia, quando da chegada de cerca de 20 mil manifestantes (avaliação dos organizadores) em passeata desde a Candelária. Não havia policiamento na região da Câmara dos Vereadores, que foi atacada com explosivos caseiros e pedregulhos.

De acordo com nota divulgada pela Câmara, o prédio só não foi invadido porque os seguranças reagiram. "A Coordenadoria Militar da Câmara Municipal do Rio informa que, por volta das 20h desta segunda-feira, um grupo de 200 manifestantes, que participava do ato público (...), tentou invadir o Palácio Pedro Ernesto, sede do Legislativo Municipal. (...)Eles também jogaram galões de gasolina pelas janelas e tentaram incendiar o prédio, além de pichar toda a parte externa do edifício", diz a nota.

Ainda segundo a Câmara, 26 agentes do grupamento especial da Guarda Municipal que desde a última semana reforçam a segurança do palácio, mais a equipe da Coordenadoria Militar, conseguiram impedir a invasão e conter o incêndio que atingiu parcialmente a sala do cerimonial, no segundo pavimento.

A direção da Câmara de Vereadores decidiu que não haverá expediente nesta terça-feira, para a realização de perícia judicial e contabilização dos prejuízos. Na nota, divulgada pela Assessoria de Comunicação Social, o Legislativo acusa "vândalos e baderneiros".

"Apesar do incidente, a Câmara do Rio reforça que respeita os professores municipais e que estará sempre aberta ao diálogo democrático. Reconhece também que é legítimo o ato público promovido pela categoria e está ciente que vândalos e baderneiros se infiltraram no movimento com claro propósito de destruir a sede do Legislativo Municipal", concluiu o documento.

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