Governo do Sudão declara cessar-fogo em Darfur

Medida é vista como forma de pressionar rebeldes a assinar acordo de paz.

Da BBC Brasil, BBC

12 Novembro 2008 | 12h09

O presidente do Sudão, Omar Hassan al-Bashir, anunciou um cessar-fogo imediato e incondicional na região de Darfur.Ele disse que o governo começará a desarmar milícias e a restringir o uso de armas pelo Exército. Grupos rebeldes que combatem na região, entretanto, não participaram das negociações e não concordaram com o cessar-fogo.Tréguas similares anunciadas em ocasiões anteriores obtiveram pouco resultado. Bashir está sob forte pressão desde que o Tribunal Penal Internacional recebeu um pedido para ordenar sua prisão, em julho. Ele é acusado de genocídio e responsabilizado por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos em Darfur. Segundo a correspondente da BBC no Sudão Amber Henshaw, Bashir fez o anúncio do cessar-fogo depois de ouvir as recomendações finais da Iniciativa do Povo do Sudão, um plano que conta o apoio do governo para o processo de paz em Darfur."Anunciamos nossa aprovação de um cessar-fogo imediato e incondicional entre as Forças Armadas e os movimentos armados, desde que seja implantado um sistema de monitoramento eficaz, composto de todos os interessados e das tropas das Nações Unidas e da União Africana", afirmou Bashir nesta quarta-feira."Esta medida vai começar especificando as posições dos interessados, as medidas de monitoramento relevantes, medidas administrativas e a segurança para os comboios de ajuda", acrescentou.Um observador internacional afirmou à correspondente da BBC que esta é, em parte, uma tentativa do governo sudanês de pressionar os grupos rebeldes para assinarem o acordo de paz de 2006, que foi rejeitado pela maioria dos rebeldes.Também se espera que o anúncio pressione a comunidade internacional para estabelecer uma força de monitoramento em Darfur, que não existe no momento.O plano Iniciativa do Povo do Sudão foi criticado por não ter incluído nenhum dos grupos rebeldes de Darfur.Mas o governo espera que este plano convença a comunidade internacional a adiar o caso contra o presidente, de acordo com Amber Henshaw.Em entrevista à BBC, antes do anúncio do cessar-fogo, o ministro do Exterior sudanês Deng Alor afirmou que um cessar-fogo não viria como uma resposta direta ao Tribunal Penal Internacional, mas poderá influenciá-lo."Se conseguirmos um plano de paz claro para Darfur, então acredito que teremos a autoridade moral para pedir... se eles poderiam adiar a decisão do TPI", afirmou.Um diplomata ocidental afirmou à correspondente da BBC que o cessar-fogo é um passo na direção correta, mas precisa de mais mudanças.Bashir é acusado de mobilizar milícias árabes pró-governo para perseguir e massacrar civis africanos em Darfur desde 2003.A ONU estima que cerca de 300 mil pessoas tenham morrido e mais de 2,5 milhões tenham sido obrigadas a abandonar suas casas desde o início do conflito em Darfur. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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