Governo e oposição trocam acusações por novo massacre em Homs

Dezenas de civis foram mortos a sangue frio na cidade síria de Homs, disseram ativistas de oposição e a imprensa estatal na segunda-feira. Os dois lados qualificaram o incidente como um massacre, mas divergiram quanto à responsabilidade.

OLIVER HOLMES E MARIAM KAROUNY, REUTERS

12 Março 2012 | 11h33

A violência em Homs e uma ofensiva militar na cidade de Idlib (noroeste) ocorreram no fim de semana em que o enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, esteve na Síria para tentar mediar o fim do conflito iniciado há um ano.

Annan deixou Damasco no domingo sem acordo para uma trégua ou acesso humanitário aos civis.

A agência estatal de notícias Sana disse em seu site que "grupos terroristas armados sequestraram vários civis na cidade de Homs, na Síria central, mataram e mutilaram seus corpos, e filmaram-nos para serem exibidos a meios de comunicação".

Um vídeo divulgado por ativistas de oposição no YouTube mostrava homens, mulheres e crianças mortos em uma sala cheia de sangue.

Os Comitês Locais de Coordenação da Síria, formados por grupos de oposição, dissera, que pelo menos 45 mulheres e crianças foram apunhaladas e queimadas no bairro de Karm al Zeitoun, em Homs. Outras sete pessoas teriam sido mortas no bairro de Jobar, vizinho ao antigo reduto rebelde de Baba Amr.

Ativistas ouvidos em Homs acusaram os "shabihas" (milícias leais ao governo) de realizarem o massacre, sob a proteção de forças militares regulares.

O ativista Waleed Fares, do bairro de Khalidiyah, a cerca de um quilômetro de Karm al Zeitoun, disse que 30 a 40 bairros haviam chegado durante a noite a Karm al Zeitoun.

"Sabemos agora que quatro famílias foram mortas pelos 'shabihas'. Temos 21 nomes e estamos tentando confirmar os nomes dos demais", disse ele à Reuters por Skype, acrescentando que as vítimas eram todas da maioria sunita.

Os "shabihas" são da seita minoritária alauita, a mesma do presidente Bashar al Assad.

Fares disse que disparos foram ouvidos a noite toda, e que houve mortes também fora de Karm el Zeitoun. "O Exército Sírio Livre (força rebelde) nos ajudou a levar os corpos para um lugar. Do contrário, as forças do regime teriam ocultado as provas", afirmou.

As restrições do governo ao trabalho da imprensa dificultam a confirmação dos relatos feitos por autoridades e grupos de oposição.

A Sana disse que o massacre de Homs "coincide com a sessão de hoje do Conselho de Segurança da ONU para propor uma interferência estrangeira na Síria".

Em Deraa (sul), um carro-bomba matou uma estudante e feriu 25 outras em uma escola feminina. Um ativista de oposição disse que membros da escola haviam participado de manifestações contra Assad.

(Reportagem de Ben Blanchard em Pequim e Yasmine Saleh no Cairo)

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