Alepo Media Center/AP
Alepo Media Center/AP

Governo e rebeldes sírios trocam acusações de 'ataque químico'

Se confirmada, a ação em Alepo seria o primeiro uso deste tipo de arma no conflito de dois anos

Reuters

19 de março de 2013 | 11h23

BEIRUTE - O governo e os rebeldes da Síria se acusaram mutuamente nesta terça-feira, 19, de realizar um ataque químico na região de Alepo, que, se confirmado, seria o primeiro uso desse tipo de armas no conflito.

Acredita-se que o governo de Bashar Assad, que há dois anos enfrenta uma rebelião que busca derrubá-lo, possua um arsenal de armas químicas, algo que Damasco não confirma nem nega.

O governo afirma que, caso possua esse tipo de armas, elas seriam usadas apenas contra uma agressão estrangeira, e não contra outros sírios. Até agora, não havia relatos de que os insurgentes também possuíssem armas químicas.

O ministro da Informação, Omran al-Zoabi, disse que os rebeldes dispararam um foguete com itens químicas contra a localidade de Khan al-Assal, a sudoeste de Alepo, no que ele descreveu como uma "perigosa escalada" do conflito.

Segundo o ministro, o ataque deixou 16 mortos e 86 feridos. A TV estatal disse mais tarde que o número de mortos subiu para 25.

Mas o comandante rebelde Qassim Saadeddine negou a acusação e disse acreditar que as forças leais a Assad tenham disparado um míssil Scud com agentes químicos.

O presidente dos EUA, Barack Obama, que reluta em intervir diretamente no conflito sírio, alertou meses atrás que o uso de armas químicas por parte de Assad seria intolerável. Mas Washington também manifesta a preocupação de que armas químicas caiam nas mãos de grupos militantes - principalmente os rebeldes islâmicos envolvidos na luta contra Assad, e seus aliados regionais.

O ministro Zoabi disse que o ataque partiu do bairro de Nairab, na zona sudoeste de Alepo e atribuiu "responsabilidade legal, moral e política" à Turquia e ao Catar, que apoiam os rebeldes.

Há duas semanas, combatentes rebeldes capturaram uma academia de polícia em Khan al-Assal, a cerca de oito quilômetros da capital provincial. Esse lugar era usado como base para a artilharia de Assad.

Mas o Observatório Sírio de Direitos Humanos, que monitora o conflito usando uma rede de contatos na Síria, disse que as forças do governo já retomaram pelo menos parte de Khan al-Assal.

Em Damasco, ativistas divulgaram um vídeo mostrando homens e meninos recebendo oxigênio em macas de um ambulatório, depois do que disseram ter sido outro ataque químico.

Eles não citaram detalhes nem números de vítimas para o ataque supostamente ocorrido em Otaiba, a leste da capital síria. Como outros relatos e vídeos de ativistas, não foi possível verificar isso de forma independente.

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