Governo está pronto para novas medidas em setores estratégicos

O governo avalia que já tomou as principais medidas para prover liquidez à economia, mas está de prontidão para adotar novas iniciativas que preservem da crise os setores exportador, agrícola, de construção civil e automotivo. Em reunião da coordenação política nesta segunda-feira, o governo avaliou que esses setores devem ser priorizados por ter grande potencial de crescimento e geração de empregos, mas o Planalto já prevê um quadro de crescimento menor do que o planejado para 2009. "Não fixamos uma meta de crescimento porque o quadro ainda é de muita incerteza, mas seguramente ele estará acima dos 3 por cento", disse um ministro à Reuters sob condição do anonimato. No projeto de Orçamento para 2009 enviado pelo governo ao Congresso, a previsão de crescimento era de 4,5 por cento. "O governo pretende jogar papel anticíclico (...) para garantir crescimento e geração de emprego", completou o auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presente ao encontro de cúpula. Durante a reunião semanal, o governo considerou positivas suas atuações para garantir a liquidez no mercado financeiro e um câmbio em patamares satisfatórios no pior momento da crise, que considera já ter passado. "O mercado está começando a se acalmar, mas agora não é um momento de euforia e de dizer que a crise passou", afirmou o ministro das Relações Institucionais, José Múcio. Segundo o ministro, o governo continuará acompanhando cada movimento da crise internacional, já que ela independe das ações tomadas em Brasília. Perguntado se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava tranquilo, Múcio respondeu: "Dizer que está tranquilo, eu acho que seria até um desdém com esse momento grave que o mundo todo travessa, mas (Lula) está absolutamente atento." O Executivo tomou uma série de medidas para garantir o fluxo de crédito, mas o presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou na última quinta-feira que a média diária de concessões de crédito no país deve sofrer um queda de 5 por cento em outubro. Meirelles ressaltou que, mesmo com a redução, não há paralisação. Na próxima quinta-feira, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o governo pretende mostrar à sociedade que a situação está sob controle e que os investimentos devem prosseguir. O objetivo é eliminar percepções negativas e garantir que o país tem capacidade para enfrentar a crise. Além do presidente Lula e de seu vice, José Alencar, participam da coordenação política os ministros Guido Mantega (Fazenda), Paulo Bernardo (Planejamento), Tarso Genro (Justiça), José Múcio (Relações Institucionais), Dilma Rousseff (Casa Civil), Franklin Martins (Comunicação Social) e Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência). Nas últimas semanas, Henrique Meirelles não só tem contando com uma cadeira permanente como tem mantido conversas diária com Lula.

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