Governo faz campanha de leitura para classes C, D e E

Cultura quer difundir ideia de que ler pode ser tão prazeiroso quanto ver novela; investimento é de R$ 373 milhões

ROBERTA PENNAFORT / RIO, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2012 | 03h03

Foi lançada ontem na TV a segunda etapa da campanha do Ministério da Cultura Leia Mais, Seja Mais, que visa à difusão da ideia de que ler é prazeroso - e tanto quanto ver novela. O foco são as classes C, D e E, as que menos leem, e o investimento para este ano será de R$ 373 milhões.

Segundo pesquisa do ano passado do Instituto Pró-Livro, enquanto 85% da população usa seu tempo livre assistindo a programas na TV, apenas 28% lê (jornais, livros e internet). Em 2007, esse índice era de 36%. Mais de 100 milhões de brasileiros se declararam não leitores.

A primeira etapa era voltada à mídia impressa. Desta vez, o Facebook também será usado como ferramenta de divulgação. O lançamento oficial foi feito pela ministra Ana de Hollanda na Biblioteca Nacional, instituição responsável pelo Plano Nacional do Livro e da Leitura.

Em seguida, na Fundação Nacional das Artes (Funarte), a ministra anunciou o emprego de R$ 161 milhões no programa de fomento a áreas como teatro, circo, dança, artes visuais e reequipamento de espaços culturais, além de ações internacionais, como o Ano do Brasil em Portugal.

O valor é 60% maior que o liberado no ano passado - o que se conseguiu, em parte, graças a convênios com outras instâncias e com o setor privado - e será usado em bolsas de criação literária, editais de ocupação de espaços culturais da Funarte, apoio a festivais e residências artísticas, entre outras iniciativas.

Alguns projetos já foram executados. Para outros ainda serão abertas inscrições. Mais informações em www.funarte.gov.br.

Protesto. Enquanto a ministra falava sobre o programa, funcionários da Cultura em greve discursavam por reajustes salariais no pátio do prédio.

Ela citou a greve e disse que negocia com o Ministério do Planejamento uma forma de atender às demandas. Mas deixou claro que não está sendo fácil, uma vez que o governo está enfrentando também a greve dos professores federais. "Não vou dizer que vou resolver, não posso prometer. Levei um estudo da área de recursos humanos do ministério ao Planejamento. Precisamos de concursos e salários compatíveis", disse Ana.

A ministra fez uma rápida apreciação de seus 18 meses na pasta. "Estou muito contente com o que conseguimos. Talvez a gente não esteja conseguindo reverberar tudo que fazemos."

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