Governo faz mutirão para abordar usuários da Cracolândia e empareda 9 prédios

Segundo Estado e Prefeitura, cerca de 240 agentes de saúde e de assistência interpelaram 470 dependentes químicos em ruas do centro nesta manhã

O Estado de S.Paulo

23 Maio 2017 | 16h00

SÃO PAULO - Na manhã desta terça-feira, 23, equipes das secretarias municipal e estadual de Saúde e Assistência Social enviaram 240 agentes para abordar e tentar fazer o acolhimento de dependentes químicos que antes estavam na Cracolândia. Até às 11h, cerca de 470 teriam sido abordadas nas imediações das ruas Gusmões, Mauá, Princesa Isabel e Aurora. Próximo ao local, a demolição de um imóvel pela Prefeitura deixou quatro feridos.

Segundo o secretário estadual de Assistência Social, Floriano Pesaro, a abordagem tem o objetivo de enviar os usuários de drogas para atendimento em unidades de saúde e acolhimento, mas o encaminhamento ocorre apenas de forma consensual. Por isso, o número de abordagens é inferior ao de atendidos.

“O resultado de tudo isso v se dar no tempo. É preciso ter persistência nesse trabalho e cautela nas informações. A abordagem vai ser feita repetidamente. Nós vamos chegar a três, quatro, cinco mil abordagens, com as mesmas pessoas sendo abordadas mais de uma vez”, explica Pesaro. Também na manhã, ao menos nove imóveis comerciais irregulares foram emparedados na região da Cracolândia, de acordo com o prefeito regional da Sé, Eduardo Odloak, que estima que o número possa chegar a 25 nos próximos dias.

Em coletiva de imprensa realiza na manhã desta terça-feira, 23, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), voltou a declarar que a Cracolândia acabou e que a região agora é conhecida como “Nova Luz”. Além disso, afirmou que “gradualmente” a gestão municipal vai recuperar o centro.

Dispersão. Segundo o secretário estadual de Assistência Social, Floriano Pesaro, a dispersão dos dependentes químicos da Cracolândia pelo centro já era esperada e ajuda o trabalho dos agentes de saúde e de assistência social. “Não tem o fluxo concentrado, dificulta o trabalho de obtenção de drogas e inibe a oferta delas para a população”, defende.

“Temos número de pessoas, local, endereço, estamos acompanhando todos os movimento. As nossas equipes equipes estão trabalhando quase ininterruptamente e vão abordar as pessoas onde elas estejam”, afirma o secretário estadual de Saúde, David Uip, que revelou ter sofrido ameaças na quarta-feira, 17, quando visitou o local.

“Não era uma situação amena. Funcionários foram escoltados pelo tráfico para sair do local. Todos nós aqui que visitamos esse local várias vezes, mas a situação que nós vimos nas últimas semanas era totalmente diferente e muito mais agressiva”, disse Uip. De acordo com o secretário municipal de Assistência Social, Filipe Sabará, cerca de 300 leitos emergenciais foram destinados a usuários acolhidos, dos quais 220 foram dispostos no Complexo Prates, no Bom Retiro.

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