Governo federal comete erro em dados sobre o desmatamento do Cerrado

Os números do Ministério do Meio Ambiente (MMA) sobre o desmatamento no Cerrado, divulgados em setembro, estavam errados. A média anual de devastação, inicialmente estimada em 21.260 quilômetros quadrados para o período 2002-2008 foi corrigida para 14.179 km² - um erro de 33%.

Herton Escobar, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

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Os dados originais haviam sido divulgados com grande alarde pelo ministro Carlos Minc, em entrevista coletiva, no dia 10 de setembro, véspera do Dia do Cerrado. Os novos dados, corrigidos, foram divulgados anteontem, sem nenhum alarde, por meio de uma nota oficial nos sites do Ibama e do MMA.

Segundo a nota, o erro deveu-se a uma "inconsistência na atribuição da data do desmatamento". Metade do desmate registrado como tendo ocorrido no período 2002-2008, na verdade, era anterior a 2002. "Em resumo, a revisão demonstrou que no período 2002-2008 houve um desmatamento de 85.075 km² e não de 127.564 km²", informa a nota. Os cálculos são do Centro de Sensoriamento Remoto (CSR) do Ibama.

Mesmo com a correção, a média de 14 mil km² ainda está muito acima da calculada por pesquisadores do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig) da Universidade Federal de Goiás (UFG). Pelos dados do Lapig, noticiados no dia 27 de setembro com exclusividade pelo Estado, a média anual de desmatamento no Cerrado no mesmo período foi de 5.600 km².

Três especialistas em sensoriamento remoto consultados ontem pelo Estado disseram que os números do MMA ainda parecem "altos demais", apesar de serem baseados em imagens de satélite de melhor resolução do que os do Lapig.

Os números têm influência direta sobre a meta de reduzir 40% do desmatamento no Cerrado até 2020, que o governo levará à Convenção do Clima de Copenhague como parte de sua estratégia nacional de combate ao aquecimento global. Se a linha de base estivesse superestimada, a redução "real" necessária para cumprir a meta seria menor.

Segundo a nota do Ibama, os cálculos da meta nacional para Copenhague já levam em conta os números corrigidos para o período 2002-2008. A estimativa do desmatamento histórico no Cerrado não foi alterada - permanece em 975.711 km², o que equivale a quase 48% da área do bioma.

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