Governo finaliza contas para dar reajuste seletivo a servidores

O governo definirá neste fim de semana o montante de recursos disponível para negociar os reajustes salariais dos servidores públicos em greve sem comprometer o equilíbrio das contas públicas, disseram nesta sexta-feira à Reuters fontes do governo.

Reuters

10 de agosto de 2012 | 20h42

Por conta das limitações orçamentárias, o governo pretende dar reajuste diferenciado apenas para os professores federais e militares, categorias consideradas prioritárias, disseram as fontes. As demais categorias serão atendidas conforme a disponibilidade de recursos e com base na defasagem salarial.

A decisão de discutir o tema no fim de semana deve-se ao compromisso que o governo firmou de realizar as negociações de 13 a 17 de agosto com as categorias em greve e com as que ameaçam cruzar os braços na segunda metade do mês.

A expectativa do governo é de que haja um acirramento das negociações nas próximas semanas, já que os reajustes obrigatoriamente têm que ser incluídos na proposta orçamentária do próximo ano, que será encaminhada ao Congresso até 31 de agosto.

PRESSÕES

O governo também tem buscado desconstruir a magnitude da paralisação dos servidores. As entidades representantes dos funcionários públicos argumentam que são 350 mil com os braços cruzados. O governo alega que há 570 mil funcionários da ativa e se 350 mil estivessem em greve o país estaria parado.

Em paralelo, a Advocacia-Geral da União mantém as ações na Justiça para cortar o ponto e minar o fôlego dos grevistas.

O governo enfrenta a pressão de servidores em duas frentes: das categorias que já estão em greve, como professores, funcionários do Incra, IBGE e técnicos administrativos, entre outros: e de outras 23 entidades que ameaçam paralisar a partir de 20 de agosto, caso não haja avanço nas negociações da próxima semana.

Entre as categorias que ameaçam paralisar estão a dos funcionários do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários e do ministério do Planejamento.

"O governo tem dito que pretende fazer ajuste fiscal, fazer mais investimento e dar mais incentivo à economia", afirmou o presidente do Sindicato dos Servidores do Banco Central, Sérgio Belsito. "Mas é preciso achar espaço para os servidores, mas se não tiver nenhuma proposta a disposição de parar continua de pé", acrescentou.

O governo já apresentou propostas aos professores --reajuste de 15 por cento dividido em três parcelas anuais-- e aos técnicos administrativos, que representam conjuntamente um gasto adicional de 6 bilhões de reais em 2013.

Os sindicalistas argumentam que para atender minimamente as reivindicações de todas as categorias seriam necessários entre 18 bilhões de reais e 20 bilhões de reais.

(Por Tiago Pariz; Reportagem adicional de Jeferson Ribeiro e Ana Flor)

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