Governo italiano é criticado por distúrbios violentos em Roma

Uma tempestade política explodiu nesta segunda-feira na Itália após os piores distúrbios nas ruas de Roma em anos, com o governo sendo acusado de não conseguir evitar que grupos violentos e bem organizados se infiltrassem em um dos muitos protestos globais contra os excessos do sistema financeiro.

BARRY MOODY, REUTERS

17 de outubro de 2011 | 13h23

A manifestação em Roma foi a única a se tornar violenta no "dia de fúria" internacional, no domingo, contra banqueiros e governos culpados pela recessão econômica mundial.

A tropa de choque não foi suficiente para controlar centenas de manifestantes mascarados munidos de pedras, coquetéis molotov e barras previamente escondidas ao longo do itinerário.

Apenas 12 manifestantes foram presos, embora a polícia esteja estudando imagens em vídeo para tentar identificar outros cem. Manifestantes indignados da marcha pacífica e outros romanos entregaram fotografias e vídeos para a polícia. Alguns enfrentaram os desordeiros no domingo.

Danos dos ataques em bancos, lojas, prédios do governo e igrejas foram estimados em pelo menos 2,5 milhões de euros (3,4 milhões de dólares). Os desordeiros usaram placas da rua para quebrar janelas.

Enquanto os aliados do primeiro-ministro Silvio Berlusconi acusaram partidos da oposição de esquerda de incitar os protestos contra o governo, o ministro do Interior, Roberto Maroni, foi criticado por todos os lados por não evitar a violência.

Segundo políticos da oposição, o serviço secreto da Itália havia alertado com antecedência que anarquistas e outros radicais do movimento chamado "bloco negro" atacariam uma demonstração com milhares de manifestantes "indignados".

Os radicais do bloco negro, chamados assim por causa das máscaras e dos capacetes que usam, surgiram na Itália nas demonstrações violentas contra uma reunião do G8 em Gênova há uma década, quando uma pessoa foi morta pela polícia. Como os protestos em outros lugares, eles usam a mídia social e o email para se organizarem.

"Foi um dia terrível, talvez o pior na memória de Roma em muitos anos. Mas acima de tudo foi inexplicável", disse Renata Polverini, governadora da região de Lazio em torno da capital.

"Precisamos entender por que todas essas pessoas violentas, algumas vindo de outras partes do mundo, decidiram vir para Roma, e como elas chegaram sem ninguém perceber".

A demonstração de Roma, que segundo algumas estimativas envolveu 200 mil pessoas, foi a maior no final de semana de protestos globais. Foi provocada por um profundo ressentimento e desespero pelo fracasso do governo de Berlusconi de produzir planos viáveis para restaurar o crescimento a uma economia estagnada há mais de uma década.

Esse sentimento é agravado por um plano de austeridade de 60 bilhões de euros (83 bilhões de dólares) incluindo aumentos em impostos e no custo da saúde. O desemprego de jovens na Itália, em 28 por cento, é um dos mais altos da zona do euro.

(Reportagem adicional de Philip Pullella)

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