Governo já admite mudar regras de concursos públicos

Ministro do Planejamento diz que fraudes mostram ser necessário tomar medidas para assegurar lisura dos processos de seleção

Renata Veríssimo e Lu Aiko Otta, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2010 | 00h00

Diante da gravidade das irregularidades reveladas pela Operação Tormenta, da Polícia Federal (PF), as regras dos concursos públicos terão de mudar.

"Isso tem de levar à revisão das regras, porque não podemos ter concursos vulneráveis, sujeitos a fraudes", disse ontem o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, responsável pela gestão de pessoal do governo federal. "A Polícia Federal tem de prender (os fraudadores) e nós temos de tomar medidas para que isso não ocorra mais."

Ele observou que cerca de 5 milhões de brasileiros estudam para ingressar no serviço público via concursos, por isso é importante que haja lisura e transparência no processo de seleção.

Que mudanças seriam necessárias, o ministro ainda não sabe. Segundo explicou, é necessário que as investigações sejam concluídas para que o Planejamento estude as alterações, com ajuda da Polícia Federal. "A Justiça também tem de rever seus processos", defendeu o ministro.

Ele disse que fraudadores conseguem ingressar na máquina pública amparada em liminares. "Colocar um fraudador para dentro da máquina pública certamente não ajuda." A Operação Tormenta revelou que algumas dessas pessoas não só já haviam sido contratadas, como também vinham pleiteando postos estratégicos. "Quer dizer, a pessoa não queria só entrar no governo, queria entrar para fazer maracutaia", comentou.

Mérito. Bernardo contou que recebeu logo pela manhã um telefonema do diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, relatando a operação. "A Polícia Federal está de parabéns, porque pegou coisas que não havia sinais de que estavam acontecendo", disse. "Eles estão mostrando que há falhas e nós temos de tomar providências. Vamos bater duro, porque quem quiser entrar no serviço público tem de entrar por mérito." Corrêa teria lhe contado que algumas pessoas prestavam concurso com a ajuda de aparelhos eletrônicos pelos quais era possível ouvir respostas às questões da prova. A mesma fraude era praticada no curso de formação pelo qual o funcionário passa antes de ser integrado à estrutura do governo. "Havia assessoria, gente que passava informações das provas", disse.

PARA LEMBRAR

Funcionário de gráfica fraudou Enem

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) - a maior prova de seleção para universidades do País - foi fraudado em 2009 por funcionários da gráfica que imprimia os cadernos. Revelada pelo Estado, a fraude resultou no cancelamento do exame, que precisou ser refeito e remarcado. O fato derrubou o presidente do órgão responsável, o Inep.

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