Governo já projeta resultado melhor que meta para CO2

O Brasil conseguirá atingir um resultado melhor do que a meta de redução de emissões de CO2 no setor energético com o atual planejamento energético do País, que privilegia a hidroeletricidade e fontes renováveis de energia. A previsão foi feita hoje pelo presidente da Empresa de Planejamento Energético (EPE), Maurício Tolmasquim, em palestra dada na Conferência Hidroeletricidade Sustentável, que acontece no Rio de Janeiro.

ALEXANDRE RODRIGUES, Agência Estado

23 de novembro de 2010 | 16h49

Segundo Tolmasquim, seguindo o atual plano decenal, o País chegará a 2020 com emissões do setor energético somando pouco menos de 700 milhões de toneladas de CO2, abaixo do que seria necessário para atingir a meta voluntária do Brasil assumida na Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas em Copenhague (COP-15), no ano passado.

A meta assumida pelo Brasil é chegar a 2020 com a mesma intensidade de emissões totais de 2005. Segundo Tolmasquim, as emissões do setor energético, incluindo o setor de petróleo e gás, eram de 362 milhões de toneladas em 2005. Com a projeção do tamanho da população de Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, a meta para a manutenção daquela intensidade de emissão seria de 730 milhões de toneladas.

"Para fazer isso, o Brasil tem que cumprir o plano decenal (de política energética). O cenário que está no plano decenal não é uma referência, mas o plano para chegar ao cenário firmado em Copenhague até com uma pequena redução da intensidade de emissão em relação a 2005", disse Tolmasquim.

Ausência de parâmetros

Entre os planos brasileiros favoráveis à redução das emissões do setor energético, Tolmasquim citou a expansão de segmentos como energia eólica, biomassa e etanol e biodiesel, mas sobretudo a construção de novas hidrelétricas. Os projetos em planejamento devem agregar 20 mil megawatts (MW) ao sistema elétrico até 2020.

Conforme o presidente da EPE, o Brasil deve aproveitar a falta de restrição ambiental a esse tipo de projeto, já que a ausência de parâmetros para medir as hidrelétricas fazem com que o comitê internacional para mudanças climáticas não considere a possível emissão desse tipo de empreendimento. "Consideramos que as hidrelétricas são um instrumento importante para atender a meta brasileira de alcançar em 2020 a mesma quantidade de emissões de 2005."

Dados apresentados pelo presidente da EPE mostram que o Brasil já tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo. A participação das fontes renováveis chega a 47,3%, contra média mundial de 14%. "O grande desafio do Brasil é se desenvolver e tirar a população da pobreza conseguindo manter a mesma proporcionalidade da matriz", afirmou.

Ranking

O País, porém, já é o terceiro maior emissor de CO2 no mundo, mas ainda bem distante dos números de China e Estados Unidos, que lideram o ranking. No entanto, se for considerado apenas o setor de energia, o Brasil cai para 11º lugar.

A contribuição do setor energético (considerando combustíveis e siderurgia) para as emissões totais é de apenas 16,5% no Brasil, enquanto a média mundial é de 65%. Nos Estados Unidos e na União Europeia (UE), a participação do setor energético nas emissões totais é de 89% e 79%, respectivamente.

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