Governo modificará cronograma de usinas do Madeira

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou nesta quinta-feira que o governo e os consórcios do complexo de usinas hidrelétricas do rio Madeira negociam modificação no cronograma de conclusão das obras. O objetivo é evitar novos incidentes trabalhistas com trabalhadores como os que ocorreram na usina de Jirau, em Rondônia, no mês passado.

REUTERS

14 de abril de 2011 | 13h56

"Nós queremos que seja cumprido o cronograma estabelecido", disse Lupi a jornalistas após reunião com sindicalistas que representaram os empregados da obra.

O cronograma inicial do governo para a conclusão da usina de Jirau, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), prevê janeiro de 2013, e o consórcio trabalhava com uma antecipação para março de 2012. Ele admite que a medida levará a demissões.

Segundo Lupi, esta antecipação das obras é que gerou boa parte dos incidentes, quando trabalhadores se revoltaram e destruíram alojamentos das obras alegando maus tratos pelas construtoras.

Agora, a nova data para finalização da usina está em negociação entre os sindicatos e as empresas que compõem o consórcio. O ministro disse ainda que o governo pretende ter, em até dois meses, um marco regulatório específico para os trabalhadores da construção civil em grandes obras de infraestrutura.

Essas novas regras estabeleceriam condições de contratação de empregados adicionais à atual legislação trabalhista. Lupi não soube detalhar as mudanças que, segundo ele, ainda estão em negociação.

Os sindicalistas têm outro objetivo. Eles querem que qualquer demissão feita nas obras do complexo do Madeira, por conta do ajuste do cronograma, seja negociada por meio dos sindicatos locais.

"A nossa preocupação é com demissões em massa em uma região que já vive um clima tenso", disse Luiz Carlos de Queiroz, um dos coordenadores da Confederação Nacional dos Sindicatos da Construção e do Madeira, filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Do total de 22 mil trabalhadores envolvidos na construção de Jirau, cerca de 9 mil retornaram para suas cidades de origem depois que o canteiro de obras foi parcialmente destruído. Parte deles não pretende retornar à obra e os sindicalistas querem que as demissões sejam devidamente homologadas nos sindicatos locais em Rondônia.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

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