Governo não quer mais Valcke como interlocutor

O governo brasileiro não aceita mais o secretário-geral da Fifa, Jerôme Valcke, como seu interlocutor nos preparativos para a Copa do Mundo de 2014.

REUTERS

03 Março 2012 | 12h32

A decisão, anunciada neste sábado pelo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, é uma reação aos comentários feitos por Valcke na sexta-feira, nos quais o secretário fez críticas à preparação do Brasil para o Mundial e disse que os organizadores precisavam levar um "chute no traseiro" para fazer a Copa acontecer.

"O governo não aceitará mais, no nível de governo, o secretário-geral como interlocutor", disse o ministro em entrevista coletiva neste sábado, em São Paulo.

"Vou comunicar o presidente da Fifa, senhor (Joseph) Blatter dessa decisão."

Aldo considerou as declarações de Valcke uma "ofensa" e as classificou como "inaceitáveis". O ministro disse ainda que, se o secretário-geral da Fifa vier ao Brasil no próximo dia 12, como é esperado, não será recebido pelas autoridades do governo brasileiro.

O ministro lembrou ainda que em visita ao Brasil em janeiro, Valcke foi recebido por autoridades do governo e fez elogios ao andamento das obras de estádios e de mobilidade urbana para a Copa.

"Nós temos tido uma atitude cordial, respeitosa, cuidadosa para dar aos visitantes representando a Fifa um ambiente de bem-estar. Agora, não podemos receber de volta um comentário que é ofensivo até numa relação pessoal", disse o ministro. "Não tem cabimento."

O ministro rebateu as críticas do secretário-geral da Fifa sobre atrasos nas obras de estádios e de mobilidade para o Mundial.

Aldo apresentou dados segundo os quais a maioria das arenas que receberão jogos da Copa está com obras mais adiantadas do que era esperado para este estágio da preparação e disse que das 51 obras de mobilidade urbana para o Mundial, 41 devem ficar prontas no ano que vem.

Sobre a Lei Geral da Copa, que tramita em comissão especial da Câmara dos Deputados e tem sido um dos principais alvos das críticas de Valcke à preparação do Brasil, Aldo disse que o governo tem se empenhado em sua aprovação.

O texto chegou a ser aprovado na comissão na última semana, mas um erro regimental invalidou a votação e os deputados devem voltar a analisar o texto na comissão na próxima terça-feira.

Após passar na omissão, a matéria terá de ser analisada pelo plenário da Câmara e receber o aval do Senado, antes de ir à sanção da presidente Dilma Rousseff.

Apesar do confronto público entre governo brasileiro e Fifa, o ministro afastou a possibilidade de o Brasil ficar sem o Mundial de 2014 e fez questão de lembrar que o país foi "escolhido" para sediar o evento.

"A Copa do Mundo está sendo realizada no Brasil porque o Brasil foi escolhido. O Brasil não impôs", disse. "O Brasil está fazendo o que todos os países que fizeram Copa e Eurocopa fizeram", garantiu.

Em sua visita ao Brasil, marcada para o próximo dia 12, Valcke tem agendadas visitas a Recife, Brasília e Cuiabá. Na capital, o secretário-geral deve participar da reunião do conselho administrativo do Comitê Organizador Local da Copa, que tem entre seus membros os ex-atacantes da seleção Ronaldo e Bebeto e o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira.

Questionado se o governo brasileiro pretende propor um novo nome à Fifa para atuar como interlocutor da entidade junto ao país, o ministro disse que "não pode conjecturar" sobre a reação de Blatter à decisão do governo brasileiro de não aceitar mais Valcke como interlocutor.

(Reportagem de Eduardo Simões;

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