Governo neutralizará eventual alta da gasolina com Cide

O governo está disposto a reduzir a tributação sobre os combustíveis para impedir que uma eventual elevação dos preços nas refinarias chegue ao varejo, afirmou nesta segunda-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliando não ser necessária uma alta imediata.

REUTERS

18 de abril de 2011 | 17h59

Segundo ele, o governo poderá reduzir a tarifa chamada Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre a gasolina e o diesel para compensar um eventual aumento do preço destes combustíveis na refinaria, se a Petrobrasdecidir fazê-lo.

"Em algum momento a Petrobras poderá ter que elevar os preços, mas iremos neutralizar isso com a queda da Cide", disse Mantega a jornalistas após participar de um evento com analistas e investidores em Nova York.

A estratégia já foi usada anteriormente pelo governo federal e nos últimos dias circularam comentários na mídia de que possivelmente voltaria a ser utilizada, já que a equipe econômica busca aliviar pressões inflacionárias e um aumento dos combustíveis no varejo seria bastante indesejável.

Mas Mantega acredita que não chegou o momento, ainda, de a estatal mexer nos valores na refinaria.

"Não é necessária uma alta imediata dos preços da gasolina", afirmou, acrescentando que os valores do combustível para os consumidores poderão cair um pouco nas bombas com o avanço do processamento da safra de cana-de-açúcar.

Como a gasolina contém 25 por cento de etanol anidro, o aumento do processamento da safra e o consequente crescimento da oferta desse produto no mercado poderá derrubar seu preço, redução que também impactaria o valor da gasolina proporcionalmente.

A Petrobras mexeu nos preços dos combustíveis pela última vez em junho de 2009, quando reduziu a gasolina em 4,5 por cento e o diesel em 15 por cento, já que os valores do petróleo haviam caído bastante no mercado internacional seguindo a crise financeira global.

Na ocasião, o governo elevou a Cide e praticamente anulou qualquer mudança no valor destes combustíveis nos postos.

Na última vez em que a Petrobras aumentou a gasolina e o diesel, em maio de 2008 (10 e 15 por cento, respectivamente), o governo havia reduzido a Cide, também evitando mudanças dos preços na bomba.

A Petrobras enfrenta um cenário desafiador no mercado local em relação à gasolina, já que a demanda cresceu muito devido aos elevados preços do etanol nos últimos meses, que fizeram os donos de carros flex se afastarem do biocombustível.

A estatal precisou importar nafta, para elevar o volume de produção de gasolina em suas refinarias, e mesmo comprar diretamente gasolina no exterior, a preços elevados.

(Reportagem de Isabel Versiani)

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