Governo pode dar até R$22 bi para conter greves, dizem fontes

Empenhado em negociar com os servidores em greve, o governo estima que pode conceder reajustes salariais entre 14 bilhões de reais e 22 bilhões de reais, dependendo de quantos recursos ainda serão consumidos pelas medidas de incentivo que a presidente Dilma Rousseff deve anunciar até meados de setembro, segundo disseram à Reuters fontes do governo.

JEFERSON RIBEIRO, Reuters

15 de agosto de 2012 | 21h03

Numa estimativa mais conservadora, um ministro afirmou à Reuters, sob condição de anonimato, que as propostas que serão apresentadas nesta semana aos funcionários públicos poderiam alcançar entre 12 bilhões de reais e 14 bilhões de reais.

Esse valor inclui as propostas já apresentadas pelo governo para os servidores da educação e os técnicos administrativos, cujos reajustes devem consumir mais de 6 bilhões de reais do orçamento de 2013, segundo esse ministro.

Mas esse valor de 6 bilhões de reais pode aumentar, porque nesta quarta-feira o governo apresentou uma proposta mais elevada de reajuste aos técnicos administrativos das universidades federais, segundo disse à Reuters uma fonte do Ministério do Planejamento.

Uma outra fonte do Executivo, porém, afirmou que o gasto com aumentos salariais para o funcionalismo público, incluindo um reajuste aos militares, pode chegar até 22 bilhões de reais.

O volume a ser destinado aos servidores, segundo essa fonte, varia de acordo com o valor que será comprometido do orçamento de 2013 com os programas de incentivo à economia estudados pela presidente e que serão divulgados até meados de setembro.

O governo estuda, por exemplo, a desoneração das tarifas de energia elétrica podendo abrir mão da arrecadação de vários encargos federais que oneram o preço aos consumidores. Dependendo de quanto perder de receita com esse incentivo à produção industrial, o governo terá mais ou menos recursos para negociar aumentos salariais.

Nesta quarta-feira, a presidente Dilma voltou a dizer que a prioridade do governo é garantir o emprego "daqueles que não têm estabilidade". Ou seja, os trabalhadores da iniciativa privada.

CRESCE A PRESSÃO

De acordo com cálculos dos sindicalistas, para atender minimamente as reivindicações de todas as categorias seriam necessários entre 18 bilhões e 20 bilhões de reais.

O Ministério do Planejamento comanda as negociações com os sindicalistas até o dia 31, quando terá que enviar ao Congresso o projeto de Lei Orçamentária prevendo quais categorias terão aumento salarial.

As primeiras reuniões da mesa permanente de negociação ocorreram na terça-feira. A expectativa do Executivo é que a pressão dos servidores em greve aumente nas próximas semanas, porque essa é a única oportunidade que as categorias têm para garantir reajustes para o ano que vem.

Nesta quarta-feira, milhares de servidores federais em greve marcharam pela Esplanada dos Ministérios, na região central de Brasília, segundo informações da Agência Brasil.

A disposição do governo continua sendo de conceder reajustes diferenciados apenas para os professores e os militares e apresentar algumas propostas pontuais de aumento para servidores de nível médio e aqueles que têm menores remunerações, segundo fontes do governo.

O secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, afirmou que ouviu do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que o governo está disposto a negociar com todas as categorias dos servidores.

"A proposta seria de manter o poder aquisitivo dos servidores para os próximos anos", disse Nobre.

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