Governo poderá enviar tropas para garantir Carnaval, diz Cardozo

Ministro da Justiça garante que greves não vão afetar folia; Na BA e no RJ, onde acontecem as maiores festas do País, parte dos militares está parada

REUTERS

10 de fevereiro de 2012 | 13h41

O governo federal enviará tropas para garantir a segurança do Carnaval em Estados onde policiais iniciarem greves, disse nesta sexta-feira, 10, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, diante da paralisação na Bahia e no Rio de Janeiro que ameaçam a rentável temporada de festas.

Policiais, bombeiros e agentes penitenciários do Rio de Janeiro decidiram entrar em greve a partir da madrugada desta sexta-feira, seguindo movimento semelhante na Bahia, onde policiais militares estão parados desde 31 de janeiro.

Estes Estados atraem milhões de turistas brasileiros e estrangeiros, numa das épocas mais lucrativas para a economia local.

"Não tenho a menor dúvida de que o Carnaval ocorrerá em absoluta normalidade na Bahia, no Rio de Janeiro e em todos os Estados brasileiros. O governo está pronto para mandar tropas que forem necessários", disse o ministro a jornalistas.

Apesar do anúncio de paralisação no Rio, a Polícia Militar afirmou que a adesão foi restrita e que a corporação está trabalhando normalmente. Em áreas turísticas tradicionais, como Copacabana, com a maior concentração de hotéis da cidade, cabines da PM operavam normalmente e havia viatura nas ruas.

"(A) situação é bem tranquila. Eu conversei com o governador (do Rio) Sérgio Cabral, até o momento sequer foi necessário encaminhamento à Força Nacional. As Forças do Rio de Janeiro estão atuando com tranquilidade. Caso seja necessário, nós estaremos em condições de encaminhar não só a Força Nacional, mas também as Forças Armadas", disse Cardozo, que avaliou que o movimento fluminense tem menos intensidade que o baiano.

Na Bahia, os índices de criminalidade dispararam no Estado, um dos mais violentos do país. Desde o início do movimento, foram registrados ao menos 150 homicídios.

Cardozo reiterou posição do governo contrária à concessão de anistia a PMs que tenham cometido crimes. Gravações de conversas telefônicas divulgadas pela Rede Globo, na quarta-feira, mostraram líderes da greve na Bahia incitando atos de violência no Estado.

"Não é possível que pessoas que tenham atuado praticando crimes, atuado em situações de vandalismo, seja pura e simplesmente ignorados os atos que praticaram. O policial, o cidadão, o político, todos devem respeitar as lei. Nessa perspectiva, quem comete crimes, deve responder por eles", disse ele.

Na quinta-feira, durante visita a obras no Nordeste, a presidente Dilma Rousseff se disse "estarrecida" com as conversas divulgadas, nas quais o líder do movimento grevista na Bahia incita violência e vandalismo, e se disse contrária à anistia a militares envolvidos em práticas criminosas.

(Reportagem de Hugo Bachega)

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