Governo precisa fazer mais para incentivar etanol--analista

Os esforços do governo brasileiro para tornar o etanol mais competitivo estão sendo benéficos para o setor, mas é preciso criar mais estímulos aos investimentos e ampliar a participação do biocombustível no mercado de combustíveis, disse um importante analista setorial na sexta-feira.

PETER MUR, Reuters

22 de março de 2013 | 19h13

O analista Marcos Jank, ex-presidente da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), disse que, para atrair investimentos, o governo precisa principalmente acabar com a política de preço fixo da gasolina, que dificulta a concorrência do etanol.

"O que está acontecendo hoje são medidas paliativas para atenuar a crise e elevar o lucro dos produtores, mas eles não criam incentivos para novos investimentos", disse Jank a pesquisadores na Embrapa em Brasília.

"Para gerar interesse por investimentos, você precisa ter mais políticas públicas" que ajudem potenciais investidores a fazerem uma leitura de longo prazo do potencial do mercado, disse Jank.

O governo elevou no final de janeiro o preço da gasolina e determinou que a partir de 1o de maio a mistura de etanol na gasolina suba de 20 para 25 por cento, o que aumenta a competitividade do álcool e sua participação no mercado, favorecendo as usinas.

Mas Jank disse que o governo pode ajudar mais o etanol se restaurar a Cide (contribuição de intervenção no domínio econômico), um imposto de 0,28 real por litro de gasolina. Segundo ele, isso seria justificável por causa da poluição atmosférica e do maior dano à saúde humana causados pelas emissões de combustíveis fósseis.

O analista disse que o setor dependerá futuramente de pesquisas científicas de instituições como a Embrapa para melhorar sua produtividade e eficiência. Ele disse que o rendimento por hectare tem potencial para quadruplicar até 2025, caso sejam usadas todas as tecnologias de processamento da cana que se espera que fiquem disponíveis até lá, incluindo o etanol de segunda geração.

"(A pesquisa) é a única saída em longo prazo. O resto é paliativo, especialmente quando você tem o petróleo de xisto e o gás de xisto", disse ele, referindo-se a uma nova tecnologia para a extração de combustíveis fósseis a custo menor.

A indústria brasileira de biocombustível, em operação desde a década de 1970, ganhou impulso em 2003 com o lançamento dos veículos flex, mas o aumento do custo de produção do etanol fez com que nos últimos anos essa alternativa, menos poluente, seja menos vantajosa do que a gasolina.

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