Governo propõe criação de autoridade antidoping no País

Brasil terá de se adaptar às exigências da Wada para promover os eventos

Vannildo Mendes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2009 | 00h00

Após um dia de reuniões com representantes da Agência Mundial Antidoping (Wada), ontem, em Brasília, o ministro do Esporte, Orlando Silva, anunciou um conjunto de medidas para adaptar o Brasil às exigências do Código Mundial Antidoping. A principal delas será o envio, em dezembro, de projeto de lei para o Congresso criando a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), agência que vai formular e fiscalizar as políticas de controle de doping.

Nos últimos anos, tem sido alarmante o número de atletas brasileiros flagrados no exame antidoping. Só em 2009 foram 26 atletas punidos por uso de substâncias proibidas. O caso mais ostensivo foi a suspensão de cinco atletas da delegação brasileira de atletismo, impedidos de participar do Mundial, em agosto. Em outubro, uma das atletas mais populares do País, a ginasta Daiane dos Santos, também teve exame positivo. Há duas semanas, a nadadora Rebeca Gusmão foi banida do esporte, depois da comprovação do uso de testosterona no exame de urina.

De acordo com Silva, porém, o aumento dos casos de doping constatados no Brasil sinaliza uma maior fiscalização. Ele garantiu que o aperto sobre o mundo do esporte será ainda maior daqui por diante. Para tanto, disse que será firmado convênio com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para ampliação e modernização do laboratório Ladetec, único da América do Sul e um dos 35 do mundo credenciados pela Wada para exames antidoping.

De acordo com a Wada, o Ladetec é suficiente para atender o País. O maior problema é a burocracia, já que a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) atrasa, ou simplesmente impede, a entrada de material biológico e de amostras vindas do exterior, que são padrões de referência necessários para a análise em laboratório.

Em meio a uma sucessão de casos de doping , o Brasil está sendo cobrado pela Wada a adotar medidas para fechar o cerco às fraudes e promover a reformulação para o País ficar à altura da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016. Entre as inovações a serem introduzidas está o aumento dos exames de sangue para detecção de substâncias como a eritropoietina (EPO).

No Brasil, o exame de sangue é feito só em casos raros. "Há substâncias que não podem ser detectadas com confiabilidade na urina", explicou o diretor do Escritório Regional para América Latina da Wada, Diego Torre.

À frente da delegação que veio inspecionar as medidas em estudo no Brasil, Torre explicou que o País tem uma política importante em favor do jogo limpo, mas precisa aumentar a quantidade e a qualidade de exames, que devem ser expandidos para competições não-oficiais. Indagado se o País estava preparado para a Copa e a Olimpíada, Torre elogiou os esforços do governo, mas foi cético: "Felizmente os Jogos não começam amanhã."

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