Governo quer aprovar em maio acordo sobre Itaipu no Senado

A base do governo no Senado pretende aprovar até o dia 14 de maio o aumento dos valores pagos pelo Brasil ao Paraguai pela energia da hidrelétrica de Itaipu.

REUTERS

25 de abril de 2011 | 18h06

Se esse cronograma for cumprido, o acordo selado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, estaria aprovado antes da presidente Dilma Rousseff viajar ao Paraguai no mês que vem, segundo a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Dilma deve ir ao país para participar das comemorações do bicentenário da independência, no dia 14 de maio.

"Queremos fazer o debate na Comissão de Relações Exteriores e votar no plenário antes do dia 14 do mês que vem", disse Gleisi, que deverá ser a relatora no Senado do Projeto de Decreto Legislativo, que autoriza o governo a aumentar de cerca de 120 milhões de dólares para 360 milhões de dólares anuais o montante que o Brasil paga pela energia de Itaipu não utilizada pelo Paraguai.

"Seria uma boa coisa para se apresentar ao Paraguai para começar uma nova interlocução", disse a senadora.

Na quarta-feira, uma delegação de parlamentares do Paraguai estará em Brasília para encontros com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

A senadora disse que aproveitará a situação para conversar com os colegas paraguaios sobre temas que interessam ao Brasil, como a redução da entrada de roupas chinesas no país pelo Paraguai. "Se aprovarmos a revisão em Itaipu, teremos mais crédito para fazer cobranças", disse a senadora.

Apesar de discordar do aumento dos pagamentos ao Paraguai, a oposição admite que não deverá conseguir evitar a aprovação do projeto, que passou pela Câmara no início do mês.

"Não dá para segurar, a base está muito obediente", disse o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR).

O aumento dos pagamentos do Brasil ao Paraguai por conta de Itaipu foi tema da campanha de Lugo à presidência. Cada país tem direito a 50 por cento da energia da hidrelétrica de 14 mil megawatts (MW). Mas como o Paraguai não utiliza toda a energia que lhe cabe, vende o que sobra ao Brasil. O reajuste que está sendo discutido refere-se a esse excedente que o Brasil compra dos paraguaios.

(Reportagem de Leonardo Goy)

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