Governo reduz projeção para PIB e desbloqueia Orçamento

O governo federal reduziu a 1 por cento sua projeção de crescimento da economia para 2009 e ao mesmo tempo ampliou em 9,1 bilhões de reais o limite de despesas orçamentárias da União no ano.

REUTERS

20 de maio de 2009 | 17h56

Em nota à imprensa, nesta quarta-feira, detalhando os últimos ajustes feitos ao Orçamento de 2009, o Ministério do Planejamento afirmou que a elevação da projeção de gastos foi possível devido à redução da meta de superávit primário do governo federal, anunciada em abril.

"Essa mudança permitiu o atendimento de várias iniciativas, e compensou a frustração na arrecadação prevista para este ano", afirmou o ministério na nota.

Dos recursos adicionais a serem liberados, 6 bilhões de reais irão para subsídios previstos no programa habitacional Minha Casa Minha Vida e 3 bilhões de reais para despesas discricionárias dos ministérios, informou o ministério.

Além de reduzir a projeção para o Produto Interno Bruto em 2009, o governo também cortou a 4,3 por cento o prognóstico para a inflação no ano --abaixo do centro da meta de 4,5 por cento.

Na véspera, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, havia dito a jornalistas que a próxima reprogramação de despesas e receitas orçamentárias do governo preveria uma expansão do PIB de 0,7 por cento.

Mas o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou que o número citado pelo ministro era apenas um dos cenários que estavam sendo estudados pela equipe econômica.

"Decidimos colocar 1 por cento", afirmou Barbosa a jornalistas nesta quarta-feira após participar de audiência pública na Câmara dos Deputados.

"É um cenário ambicioso em relação ao que o mercado está prevendo, mas achamos que é um cenário possível, factível, tendo em vista as medidas que foram adotadas (pelo governo) e o desempenho esperado para o segundo semestre.

No início do ano, o governo afirmava que a taxa de crescimento do PIB a ser buscada era de 4,0, mas esse número já tinha sido reduzido para 2,0 por cento. O mercado prevê uma retração de 0,49 por cento do PIB, segundo a mediana da última sondagem feita pelo Banco Central.

Segundo Barbosa, o governo prevê que a economia no ano será puxada pelo mercado interno e a construção civil, sob o impacto das obras do Programa de Aceleração do Crescimento e do pacote habitacional.

"(Nosso prognóstico) também embute uma recuperação da economia mundial no segundo semestre", afirmou.

O governo anunciou no mês passado uma redução da meta de superávit primário para o setor público para 2,5 por cento do PIB, ante patamar anterior de 3,8 por cento do PIB. Para o governo central, a meta foi reduzida de 2,20 por cento do PIB para 1,40 por cento do PIB.

Em março, na primeira revisão do Orçamento de 2009, o governo havia promovido um bloqueio de 21,6 bilhões de reais nas despesas.

(Reportagem de Isabel Versiani)

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