Governo trabalha pela integração energética regional, diz ONS

O governo sinalizou que a integração energética na América do Sul poderá se concretizar de uma forma mais consistente, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responsável pela operação de usinas e linhas de transmissão do Brasil.

FÁBIO COUTO, REUTERS

05 de outubro de 2011 | 19h55

O diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, disse à Reuters nesta quarta-feira que há uma orientação clara do governo para se trabalhar em direção à integração plena dos mercados.

"É unificar mercados, a mais ousada (etapa)", afirmou Chipp após participar do 8o Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase), realizado no Rio de Janeiro.

Chipp acredita que a integração dos mercados será em etapas, com a implantação, inicialmente, de contratos bilaterais em regime de "energia firme" (sem interrupção), diferente do que acontece atualmente entre Brasil e Uruguai e entre Brasil e Argentina.

O Brasil exporta excedente de eletricidade aos dois países por tempo determinado, com devolução da energia pelos dois países na mesma quantidade e em momento de situação energética mais favorável.

A fase de contratação bilateral seria lastreada em tratados entre o Brasil e os demais países, semelhante ao que acontece hoje com Itaipu.

Para a etapa seguinte, Chipp propôs o que seria classificado como oferta por "volume e preço na fronteira". Nessa fase, explica, o ONS faria uma metodologia para se avaliar o risco desejado pelo governo de redução dos níveis de reservatórios.

Com isso, o governo poderia fazer ofertas firmes de compra e venda de energia, a um preço estabelecido -- por exemplo, a cada semana -- sendo interrompido apenas em caso de problemas de abastecimento energético.

"Nós vamos funcionar como usinas para os outros países, e eles para a gente, quando a gente precisar", salientou.

Mesmo as condições de oferta na modalidade "volume e preço na fronteira" seriam regidas por um acordo ou tratado regional, destacou o executivo, evitando alterações nas condições de comercialização a cada mudança de governo.

No caso da integração plena, Chipp destacou que essa condição ainda depende de negociações entre os governos interessados na modalidade. "O nível de evolução vai depender da vontade dos governos."

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