Governos rejeitam fazenda para abrigar vítimas de tremor

A intenção do prefeito de Itacarambi, no norte de Minas Gerais, José Ferreira de Paula (DEM), de que os governos de Minas Gerais ou federal financiassem a compra de uma fazenda de cerca de 620 hectares (6,2 milhões de metros quadrados) - da qual possui participação - para a instalação das famílias desabrigadas pelo terremoto de domingo não vingou. Após uma reunião entre representantes da prefeitura, um técnico da Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais (Cohab) e pesquisadores do Observatório de Sismologia da Universidade de Brasília (UnB), ficou definido que uma área no bairro São José, no espaço urbano da cidade, será usada para a reconstrução das casas. A administração municipal é a proprietária do terreno.Na terça-feira, Ferreira de Paula sugeriu a compra da propriedade rural, avaliada por ele em R$ 2 milhões, para a acomodação das famílias retiradas da comunidade rural de Caraíbas após o tremor de terra de 4,9 pontos na escala Richter. Ele pediu ajuda financeira ao governo de Minas e à administração federal. Ontem, o governo do Estado divulgou uma nota afirmando que as novas residências prometidas aos desabrigados pelo sismo seriam "construídas em terreno que deve ser cedido pela prefeitura e que não apresente riscos". Segundo o governo estadual, a alternativa do bairro São José foi apresentada aos moradores de Caraíbas, que concordaram com o novo local. A preocupação das autoridades é quanto à possibilidade de reocupação irregular das habitações no povoado, o mais afetado pelo abalo sísmico. A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) orientou o Poder Executivo municipal a demolir as moradias atingidas na localidade. Quase todas as 76 casas foram condenadas pela vistoria do Corpo de Bombeiros. Ainda não há data para o início da demolição. Nos próximos dias, a administração estadual deverá iniciar a sondagem do subsolo e o levantamento topográfico preliminar do bairro. Apesar da decisão, o Executivo municipal está em entendimentos com a empresa Colonial Agropecuária para comprar uma área contígua, de modo a comportar toda a antiga vila.

EDUARDO KATTAH, ENVIADO ESPECIAL, Agencia Estado

13 de dezembro de 2007 | 19h56

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