Grã-Bretanha aprova pesquisas com embriões híbridos

A Grã-Bretanha decidiu na quarta-feirapermitir, em princípio, a criação de embriões híbridos de sereshumanos e animais para serem usados na pesquisa de doenças comoo mal de Parkinson, Alzheimer e problemas neuromotores. A Autoridade sobre Fertilização Humana e Embriologia (HFEA,na sigla em inglês) concordou em permitir um tipo específico dehíbrido, em que o DNA humano é injetado num óvulo animal oco,disse uma representante do órgão regulador. O "híbrido citoplasmático", ou "cíbrido", seria 99,9 porcento humano e 0,1 por cento animal. Duas equipes de cientistas britânicos tinham pedidopermissão à HFEA para criar esse tipo de híbrido, de forma acontornar a dificuldade de conseguir óvulos humanos. Os pedidos ficaram em suspenso por quase um ano, esperandoo resultado de uma consulta pública feita pela HFEA. Os pesquisadores querem usar os embriões híbridos, que têmde ser destruídos depois de 14 dias, para criar células-troncoe ajudar a encontrar novos tratamentos para doençasdegenerativas. "Não é um sinal verde total para a pesquisa com híbridoscitoplasmáticos, mas o reconhecimento de que essa área depesquisa pode, com cuidado e escrutínio, ser permitida", dissea HFEA sobre a decisão de quarta-feira. Agora, a HFEA vai analisar os dois pedidos de permissão. Cientistas da China, dos Estados Unidos e do Canadá jáfizeram trabalhos semelhantes. A HFEA adiou a decisão sobre outros tipos de híbridos, comoos "híbridos verdadeiros", criados pela fusão de umespermatozóide humano e um óvulo animal, e as "quimeras", emque células humanas são injetadas em embriões animais. O adiamento aconteceu porque não havia evidências de que oscientistas estejam pensando em usar esses híbridos empesquisas. Uma pesquisa de opinião com mais de 2.000 pessoas pesou nadecisão da agência. Segundo a pesquisa, as pessoas apoiavam acriação de embriões híbridos como proposta pelas duas equipesde cientistas, mas só quando sabiam do motivo dos experimentos. A maioria dos entrevistados -- 61 por cento -- deu seuapoio se os híbridos fossem ajudar a entender as doenças. Oapoio caía para 35 por cento se os híbridos estivessem sendocriados para pesquisas não-específicas.

TIM CASTLE, REUTERS

05 de setembro de 2007 | 14h55

Tudo o que sabemos sobre:
CIENCIACELULAHIBRIDO

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.