Grã-Bretanha expulsa quatro diplomatas russos

Medida é resposta a decisão russa de não extraditar suspeito de matar ex-espião.

BBC Brasil, BBC

16 Julho 2007 | 13h44

O ministro do Exterior da Grã-Bretanha, David Miliband, anunciou nesta segunda-feira que o país está expulsando quatro diplomatas russos em resposta à recusa das autoridades de Moscou em extraditar o ex-espião Andrei Lugovoi, o principal suspeito em um caso de assassinato. Lugovoi é acusado de ter tido participação no homicídio do também ex-espião russo Alexander Litvinenko, que morreu em Londres em novembro passado depois de ter sido envenenado com polônio-210, um elemento radioativo. O Ministério do Exterior britânico não divulgou o nome dos diplomatas, mas a BBC apurou que eles trabalham na área de inteligência. Diante do Parlamento, Miliband ressaltou que é necessário mandar um sinal "claro e proporcional" à Rússia sobre a seriedade com a qual a Grã-Bretanha encara as acusações contra Lugovoi. "Em primeiro lugar, vamos expulsar quatro diplomatas da embaixada russa em Londres", disse o ministro. "Em segundo, devemos rever a extensão de nossa cooperação com a Rússia em várias áreas e, como passo inicial, suspender negociações para facilitar vistos e fazer outras mudanças relacionadas a vistos." O ministro também ressaltou que há acordos internacionais que determinam que Lugovoi possa ser extraditado para a Grã-Bretanha caso deixe a Rússia. Lugovoi nega as acusações de que envenenou Litvinenko. Uma convenção assinada em 1957 garante aos russos o direito de se recusar a extraditar um cidadão do país. Miliband disse, no entanto, que a decisão russa no caso é "extremamente decepcionante" e que tanto a ONU como a União Européia estão preocupados com o fato de que a Rússia aparentemente está aplicando a convenção de acordo com seus próprios interesses. A morte de Alexander Litvinenko, aos 43 anos, provocou grande preocupação em Londres, onde locais freqüentados pelo ex-espião antes de morrer tiveram que ser testados para detectar a presença de radioatividade, e estremeceu as relações diplomáticas entre Rússia e Grã-Bretanha. Antes de morrer, o ex-espião escreveu uma carta em que culpava o presidente russo, Vladimir Putin, de estar por trás de sua morte. O governo russo sempre negou a alegação. No mês passado, o procurador-geral russo, Yuri Chayka, disse que a extradição de Lugovoi para a Grã-Bretanha está "fora de questão" por violar a Constituição russa. O próprio Putin descreveu o pedido de extradição como "tolo". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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