Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Grande São Paulo perde 20 hospitais em 10 anos

Levantamento de sindicato aponta má gestão e baixa remuneração por parte de operadoras como causas da desativação de unidades particulares

Karina Toledo, O Estado de S.Paulo

28 Abril 2011 | 00h00

A Grande São Paulo perdeu, nos últimos dez anos, 20 hospitais particulares, mostra levantamento do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Sindhosp). Apenas no último mês foram fechadas três unidades. Entre as causas estão má gestão e baixa remuneração por parte das operadoras.

O caso mais recente foi o do Complexo Hospitalar Paulista (CHP), na Consolação, que teve de transferir os pacientes às pressas no último dia 21 por causa de uma ação de despejo. O prédio foi esvaziado e a equipe médica não pôde levar nem os prontuários dos internados.

Um dos removidos foi a funcionária pública Conceição dos Anjos, de 52 anos, que estava internada havia quatro dias por causa de uma anemia profunda. Como não conseguiu autorização a tempo para ser internada em outro hospital do plano, foi levada para o Hospital Presidente, no Tucuruvi, que pertence ao mesmo grupo do CHP. Morreu no dia seguinte.

"Ela começou a ter falta de ar já na ambulância e foi para a UTI na manhã de sexta, dia 22. Às 20 horas me ligaram dizendo que ela havia sofrido parada respiratória", conta a irmã Sueli Maria dos Anjos. Por meio da assessoria de imprensa, os representantes do CHP disseram que foram surpreendidos pela ação de despejo e vão tentar reverter a situação.

Segundo Sayegh Neto, advogado dos proprietários do edifício, a direção do hospital não pagava aluguel desde outubro de 2010. A dívida seria de R$ 2 milhões.

Também neste mês foram fechados o Hospital Panamericano, na Vila Madalena, e o Hospital e Maternidade de Mauá, ambos da operadora Samcil. A empresa enfrenta uma grave crise e recebeu prazo da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para negociar sua carteira de beneficiários até amanhã.

As duas últimas unidades da rede que ainda estão abertas - Hospital Vasco da Gama, no Brás, e Hospital e Maternidade São Leopoldo, em Santo Amaro - funcionam de forma precária e estão sendo esvaziadas.

"Meu marido tem um problema sério de coluna e não há neurocirurgião para operá-lo. Ele está internado há quatro dias, só tomando morfina. Hoje a médica quis dar alta porque não tinha mais o que fazer", conta a dona de casa Cássia de Marco.

A reportagem tentou contato com a Samcil, mas não obteve retorno.

Dificuldades. Segundo Danilo Bernick, do Sindhosp, os hospitais menores e mais periféricos têm baixo poder de negociação com as operadoras e acabam sendo muito mal remunerados. Além disso, diz, são comuns os casos em que as operadoras negam o pagamento de serviços ou pagam apenas parte. "Isso impossibilita o equilíbrio econômico. Para piorar, muitas unidades sofrem com a má gestão."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.