Grandes economias focam na China no combate à recessão

País quer manter sua taxa de expansão econômica, que deve ser de 8 a 9 por cento em 2009

ANNA WILLARD, REUTERS

09 Novembro 2008 | 11h44

As maiores economias do mundo voltaram suas atenções para a China neste domingo para um alívio da recessão que se espera em muitos países, após Pequim aprovar um grande pacote de estímulo em mais um esforço global para estimular o crescimento. Ministros das Finanças, autoridades de governos e de bancos centrais do G20 estão reunidos em São Paulo para discutir formas de dar suporte a suas economias, que representam cerca de 90 por cento da atividade global. As autoridades disseram no sábado que as medidas devem incluir estímulo à demanda --como projetos de infra-estrutura ou cortes de impostos-- e possíveis reduções de juros em alguns países. "Para os países que podem, encorajamos tomar medidas de estímulo", disse a ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, neste domingo. "O ministro chinês disse que eles estão determinados em dar suporte à demanda interna", afirmou ela a jornalistas, referindo-se às discussões da reunião do G20. O presidente do Banco Mundial e outras autoridades que participam do encontro apontaram a China como um país que tem um importante papel nas tentativas de restaurar o crescimento. Na Europa, acrescentou Lagarde, o principal modo de estimular a expansão é a redução das taxas de juros. Ela reiterou comentários anteriores de que o Banco Central Europeu (BCE) deve cortar sua taxa novamente em breve. "Temos nosso esforço monetário, que está em processo de consolidação com os sucessivos cortes de juro e uma antecipada redução de juro talvez nas próximas semanas", disse ela. Na China, o governo aprovou um grande pacote de estímulo de quase 600 bilhões de dólares até 2010 para impulsionar a demanda doméstica e contrabalançar uma queda das exportações, segundo a agência oficial de notícias Xinhua. A Xinhua acrescentou que os recursos serão utilizados para construção de aeroportos, estradas de ferro e estradas no país. Crescimento O governo chinês também anunciou uma mudança em sua política monetária, classificada agora como "moderadamente afrouxada". O presidente do banco central da China, Zhou Xiaochuan, disse no sábado que o país quer manter sua taxa de expansão econômica, que deve ser de 8 a 9 por cento em 2009. Alguns economistas previram que o crescimento chinês pode ficar abaixo de 8 por cento no ano que vem. Autoridades de bancos centrais e dos governos desenharam, na reunião do G20 em São Paulo, propostas para seus líderes levarem a uma cúpula emergencial sobre a crise financeira no próximo final de semana em Washington. Essa reunião também deve debater os pedidos das grandes economias emergentes, como o Brasil, de uma maior participação delas nas decisões sobre o sistema financeiro global.

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