Grandes grupos lideram a expansão dos canaviais

Lavoura cresce em todo o Centro-Sul. Investimentos de apenas quatro empresas chegam à casa dos R$ 7 bilhões

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2007 | 03h49

O potencial para expansão da produção de açúcar e álcool no País, aliado ao crescimento na demanda mundial por energia de fontes alternativas, deu novo dinamismo ao agronegócio brasileiro. Grandes grupos estão sendo atraídos para o setor sucroalcooleiro de olho, não só na produção do açúcar e do álcool, mas na possibilidade de agregar a esses insumos a produção de biocombustível e de bioeletricidade. Veja também:Meio ambiente recebe atenção especial nos novos investimentosO grupo Odebrecht escolheu o Pontal do Paranapanema, extremo oeste de São Paulo, para criar seu pólo sucroalcooleiro. A região ficou conhecida pelos conflitos de terras, mas isso não inibiu a empresa: os investimentos podem chegar a R$ 3 bilhões.Cinco anosO plano da Odebrecht é estar entre os maiores grupos do setor no País em cinco anos. Para isso, adquiriu uma usina tradicional na região, a Alcídia, em Euclides da Cunha Paulista, e outra em obras, a Conquista do Pontal, em Teodoro Sampaio, e planeja a construção da terceira unidade em Presidente Epitácio. No futuro, a Odebrecht deve investir em Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas.O projeto de uma usina em Rio Brilhante (MS) está em andamento. A Odebrecht é uma das empresas que devem ser atendidas pelo álcoolduto que interligará as regiões produtoras ao terminal da Petrobrás em Paulínia (SP) e ao porto Paranaguá (PR). A expectativa é a de que, em dez anos, o setor sucroalcooleiro represente até 25% do faturamento do grupo.O secretário de Agricultura de São Paulo, João Sampaio, acredita que os investimentos contribuirão para o desenvolvimento do Pontal. ''Haverá geração de emprego qualificado e de renda.'' Ele diz que a renovação dos canaviais, à razão de 20% ao ano, deverá estimular também a produção de grãos.EnergiaA Companhia de Energia Renovável (Cerona) optou por Mato Grosso do Sul para investir. Um de seus diferenciais será a geração de eletricidade a partir do bagaço da cana e do eucalipto. O grupo recém-formado vai investir R$ 1,5 bilhão no projeto, que prevê a construção de duas usinas em Nova Andradina e Bataíporã. Na entressafra da cana, as fornalhas serão abastecidas com um mix de bagaço, palha e cavaco de eucalipto. No futuro, serão construídas mais duas usinas em Jateí e Anaurilândia. Até 2014, serão criados 3 mil empregos diretos. A Cerona é formada pela Brazilian Energy Partners (BEP), um fundo americano, especializado em energia renovável, que detém 95% da empresa.A Cerona ingressa no setor com disposição: juntas, as duas usinas processarão de 8 milhões a 10 milhões de toneladas de cana/ano, sendo 7 milhões de área própria. A produção anual será de 700 mil toneladas de açúcar e 450 milhões de litros de álcool. Mas a grande aposta é na geração de energia.ExcedenteA Cerona espera dispor de 1 milhão de megawatts ao longo do ano. Além de atender ao consumo próprio, o excedente será vendido para o sistema elétrico. ''Estamos falando de uma receita extra de R$ 140 milhões/ano'', diz Dupire. Além da cana, a empresa planta 6 mil hectares de eucalipto para mover as turbinas na entressafra.Os canaviais já se espalham pelos arredores de Nova Andradina. Até 2009, a cultura ocupará 15 mil hectares, em parceria com agricultores. Conforme o agrônomo Edson Mitsuo Okumura, os plantios iniciais, irrigados, destinam-se à produção de mudas das 15 variedades adaptadas à região. O superintendente-agrícola do grupo, João Rossi, diz que os canaviais avançam sobre áreas de pastos degradados. ''As reservas de mata serão preservadas e ampliadas.'' A região terá, ainda, uma unidade do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) para pesquisas e seleção de variedades.

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