Grávida é obrigada a se internar por uso de crack no RJ

Uma mulher de 22 anos, grávida de oito meses, foi internada compulsoriamente com ordem judicial para o tratamento do vício de crack. Foi a primeira internação obrigatória de um adulto a pedido da Secretaria Municipal de Assistência Social, depois da publicação da portaria que trata do tratamento compulsório para crianças que estejam usando a droga.

CLARISSA THOMÉ, Agência Estado

10 Junho 2011 | 19h14

"Essa jovem estava colocando em sério risco o feto. A juíza Ivone Caetano atendeu de imediato o pedido (de internação compulsória)", afirmou o secretário Rodrigo Bethlem. A mulher foi avaliada em um dos Centros de Atenção Psicossocial da Prefeitura do Rio. "Após os exames, ela poderá seguir para uma de nossas unidades de acolhimento, onde terá condições dignas para ter seu filho e recuperar a cidadania".

A mulher foi recolhida numa operação da Secretaria Municipal de Assistência Social na quarta-feira, na cracolândia do Jacarezinho, na zona norte. Em imagens feitas pela TV Globo, ela aparece protegida por um cobertor, anda cambaleante e discute com os agentes. Tenta esboçar uma reação, mas acaba sendo levada pelos assistentes sociais. De acordo com a secretaria, a própria família da jovem estava "desesperada" e pediu a internação.

Para a promotora Ana Cristina Ruth Macedo, que atua na Vara da Infância e Juventude, decisões como essa são tomadas para proteger o bebê. "Ele tem os direitos resguardados desde que é concebido. As imagens por si só mostram que o bebê está em situação de risco. Não é incomum a Vara da Infância determinar a apreensão de grávidas para garantir o pré-natal, ou para que ela faça exames. No caso dessa mulher é evidente ali que a criança estava em risco", afirmou a promotora.

Na operação da última quarta-feira, seis adolescentes foram apreendidos, mas dois conseguiram escapar ainda no Centro de Triagem da prefeitura. Eles pularam o muro depois de tomarem banho e se alimentarem. Dois funcionários foram responsabilizados pelas falhas e afastados. A prefeitura mantêm dois abrigos para o tratamento de crianças e adolescentes viciados, onde há 61 internados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.