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Gravidez adolescente cresce apenas na AL nos últimos 30 anos

Sistema educacional e nível da renda são os principais fatores que influenciam na maternidade adolescente

Efe,

22 de janeiro de 2010 | 12h18

A América Latina é a única região do mundo que registrou um aumento contínuo da gravidez adolescente desde 1980, diz um relatório divulgado nesta quinta-feira, 21, em Madri pela Organização Ibero-Americana de Juventude (OIJ). Intitulado "Reprodução adolescente e desigualdades na América Latina e no Caribe: um chamado à reflexão e à ação", o documento de 120 páginas é obra da OIJ e de dois organismos da ONU, a Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal) e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês). O texto ressalta que "a América Latina é a única região do mundo na qual, nos últimos 30 anos, a taxa de maternidade adolescente cresce, mais do que na África", disse a secretária-geral adjunta da OIJ, Leire Iglesias. Na apresentação do documento, Iglesias, que estava acompanhada do secretário-geral da OIJ, Eugenio Ravinet, recalcou que "a taxa de maternidade não desejada cada vez aumenta mais na região". Dezessete países foram incluídos no estudo: Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. O documento, que analisa o grupo de adolescentes entre 15 e 19 anos, mostra também que, de cada mil gestações na América Latina, 73,1 são de adolescentes e "provavelmente indesejadas", declarou Ravinet. Esse número é muito superior à média mundial, 54 gestações adolescentes por cada mil, apontou o principal responsável da OIJ. Segundo o relatório, "com a exceção de países como Brasil e Colômbia, que pesam muito em termos demográficos, a tendência da taxa de maternidade adolescente na região é de crescimento", explicou Iglesias. Fatores Ao falar sobre a maternidade adolescente e a influência de fatores socioeconômicos, o estudo constata que "quanto melhor o sistema educacional, menor a taxa de gravidez indesejada em adolescentes". Além disso, "cada vez influem menos a procedência da mulher, se é da zona rural ou de áreas urbanas", e "os níveis de formação, já que os sistemas educacionais possibilitam que todos tenham acesso a uma formação elementar", disse Iglesias. No entanto, um condicionante que continua sendo muito importante é o nível de renda, pois "quanto mais pobreza, mais chances de ter uma gravidez indesejada". A respeito do perfil dos pais adolescentes, os pesquisadores reconhecem que "há pouca informação", mas constatam que "as variáveis socioeconômicas e de renda não são tão determinantes nos homens como nas mulheres". "No caso dos homens, as relações de risco ocorrem independentemente da variável dos comportamentos socioeconômicos", disse Iglesias. Diante dessas conclusões, Ravinet não hesitou em afirmar que "não podemos ficar satisfeitos com o que vimos". "Sempre há anúncios de grandes programas de prevenção da gravidez adolescente, grandes campanhas de educação sexual nos colégios, e geralmente não dão em nada", opinou o secretário-geral da OIJ. Ravinet alertou que, diante desta situação, "são milhares de mulheres cujas chances de se desenvolver e ter um vida mais confortável são prejudicadas".

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