Greve de fiscais pode parar indústrias de carnes e afetar oferta

Empresas brasileiras produtoras e exportadoras de carnes podem parar as linhas de produção em dois ou três dias, ameaçando o abastecimento, devido aos entraves provocados pela greve dos fiscais agropecuários, disseram representantes do setor nesta quarta-feira.

GUSTAVO BONATO, Reuters

08 de agosto de 2012 | 14h46

A greve dos fiscais, que concedem autorizações para abate e transporte da carne, começou na segunda-feira.

As indústrias dizem que, com a paralisação, não conseguem realizar os abates e o escoamento da produção até os portos de exportação, por exemplo. Além disso, há risco de faltar produto nos supermercados.

"Algumas empresas já estão advertindo que se não houver interrupção imediata (do movimento grevista), podem parar linhas de produção", disse Francisco Turra, presidente da União Brasileira de Avicultura (Ubabef).

Há ainda a possibilidade de haver cancelamento de abates, o que provocaria acúmulo de animais nas granjas.

"O que nos preocupa muito é a possibilidade de nós vivermos o caos. Nós estamos falando de desabastecimento no mercado interno e impacto nas exportações brasileiras", disse o executivo de uma grande empresa do setor de aves e suínos, que pediu para não ser identificado.

"Quando ele (fiscal) começa a não funcionar, ele começa a entupir a cadeia toda. Se eu não consigo tirar o produto da fábrica, eu não consigo tirar animal do campo. Tenho que parar abates. Complica toda a cadeia", acrescentou o executivo.

"Felizmente não parou ainda. A gente está confiando que não vai parar. O diálogo com os dois lados, é permanente", disse à Reuters, Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Carne Suína (Abipecs).

O Ministério da Agricultura informou em nota que recorreu à Advocacia-Geral da União para tentar limitar a greve dos fiscais federais agropecuários e assegurar o trabalho de pelo menos 70 por cento dos servidores.

O ministério anunciou também nesta quarta-feira que está temporariamente autorizando Estados e municípios a realizarem ações de defesa e fiscalização agropecuária, baseado num decreto presidencial assinado em julho, em meio a outras greves de fiscais.

A transferência das ações, do ministério para os órgãos estaduais e municipais, vai ocorrer por meio de convênios, mas o governo federal não informou o prazo para assinatura destes convênios.

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