Greve de fome vai continuar, avisa Suplicy

Senador e advogado foram os primeiros a ver Battisti após decisão do STF

Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

20 de novembro de 2009 | 00h00

Depois de mais uma ida ao Presídio da Papuda, em Brasília, para visitar o ativista Cesare Battisti, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse ontem que o italiano permanecerá em greve de fome, aguardando a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o pedido de extradição para a Itália.

O parlamentar contou que Battisti perdeu nove quilos e está "relativamente calmo e um pouco enfraquecido". "Ele vai manter a greve de fome, mas tem a clara percepção, a esperança de que poderá receber a condição de refugiado no Brasil e ter uma vida normal", comentou o senador - apesar de o Supremo Tribunal Federal (STF), por 5 votos a 4, ter considerado a concessão de refúgio ilegal.

Suplicy e o advogado do ativista, Luís Roberto Barroso, foram as primeiras visitas recebidas no presídio por Battisti, após a sentença do STF que repassou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a palavra final sobre sua extradição. A conversa durou uma hora e meia. O advogado acredita que o presidente vai confirmar a decisão política do governo "já tomada" e negar a entrega do ativista à Itália. Na avaliação de Suplicy, Lula tem "razões consideráveis" para manter no Brasil o ex-integrante do Movimento Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).

FALHAS

O senador citou supostas falhas nos processos contra Battisti julgados pelas cortes italianas e europeias - como a de não ter tido o direito de escolher um defensor de sua livre e espontânea vontade - para justificar sua permanência no Brasil. "As denúncias contra ele foram feitas por delatores premiados e não há nenhuma perícia técnica consistente que comprove ter ele realizado os assassinatos."

Para o advogado de Battisti, a decisão de Lula será "política" e deve reiterar a posição de seu governo. "Nem veria como uma probabilidade a iniciativa do presidente de entregar Battisti à Itália", afirmou.

Barroso disse não ter sido consultado pelo ativista sobre sua greve de fome. "Meu conselho é que ele interrompa a greve, porque temos muita confiança na prudência política e solidariedade histórica do presidente."

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