Greve no Metrô gera caos em SP, categoria fará assembleia

Uma greve dos trabalhadores do Metrô de São Paulo e de parte dos trens que servem a cidade levou a um congestionamento recorde na maior cidade do país na manhã desta quarta-feira. A situação aumentou o sofrimento dos paulistanos que tentavam chegar ao trabalho, sem conseguir utilizar o transporte público ou ficando presos em engarrafamentos.

DANIELA ADES, REUTERS

23 Maio 2012 | 16h02

De acordo com a assessoria de imprensa do Sindicato dos Metroviários, houve avanços nas negociações realizadas durante audiência de conciliação entre líderes do movimento grevista e o Metrô no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

A nova proposta da companhia será levada aos trabalhadores em assembleia na sede do sindicato, na zona leste da cidade, na tarde desta quarta.

"Estamos aguardando o TRT. Parte da diretoria esteve na reunião de conciliação, que vai trazer à assembleia", afirmou a assessoria do sindicato à Reuters. "Nós vamos aguardar, tem chance (de a greve ser suspensa), mas vai ter que ser avaliado pela assembleia."

A falta de transporte e o excesso de veículos, agravado pela liberação do rodízio municipal, gerou transtornos nesta manhã.

"Estamos chegando a um colapso, isto é prova. Eu levei 40 minutos para atravessar o Morumbi até a avenida das Nações Unidas na ponte João Dias (cerca de 4,7 km). É um absurdo. Normalmente é cinco minutos para atravessar", afirmou a taxista Antonia Regina, 41 anos, que deixava um passageiro em um prédio comercial, na avenida das Nações Unidas, Santo Amaro, zona sul de São Paulo.

Por volta das 10h, a cidade registrou congestionamento recorde no período da manhã, com 249 quilômetros de lentidão, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Às 11h, havia 191 quilômetros de lentidão nas vias monitoradas pela CET, que se iguala ao recorde anterior, registrado na manhã do dia 4 de novembro de 2004.

O sindicato representa os trabalhadores das linhas Safira e Coral da CPTM -paralisadas pela greve- convocou uma assembleia para às 16h de hoje para avaliar a proposta da empresa.

CARROS E TRENS PARALISADOS

A cidade, que conta com a maior frota de veículos do país, contabiliza 960 veículos licenciados por dia. Um volume que tende a aumentar com as últimas medidas do governo de incentivo ao consumo, em especial o pacote anunciado nesta semana com redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos e juros menores em linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) voltadas a bens de capital.

"Demorei 3 horas para chegar aqui (zona sul da cidade), normalmente demora 20 minutos", disse o consultor André Mautoni Ferreira, que vinha de carro do Butantã, na zona oeste.

"Eu ouvi da greve ontem (terça-feira) à noite, mas não achei que ia estar um trânsito desse, está impossível", disse, acrescentando que saiu de casa às 8h e chegou por volta de 11h30 ao trabalho.

A greve dos metroviários, anunciada na noite de terça-feira após assembleia da categoria, começou às 0h desta quarta-feira e paralisou parcialmente as linhas 1-azul, 2-verde e 3-vermelha do Metrô.

As estações que integram as linhas Safira e Coral da CPTM também estavam com os portões fechados na manhã desta quarta-feira. A linha 4-amarela do Metrô -operada por uma concessionária privada- e 5-lilás também do Metrô funcionavam normalmente.

A rede de ônibus de São Paulo não comportou a enorme demanda dos passageiros do Metrô, gerando filas de horas de espera e pontos lotados por toda a cidade.

Em assembleia, os metroviários decidiram pela paralisação após rejeitarem proposta de reajuste salarial de 4,15 por cento apresentada pela companhia do Metrô no dia 16 de maio. Dentre as reivindicações estão reajuste salarial de 5,37 por cento, equiparação salarial e jornada de 36 horas semanais.

O Sindicato da Central do Brasil, que representa os trabalhadores que atuam nas duas linhas da CPTM paralisadas, pedem reajuste de 10,83 por cento de reajuste salarial e tíquete refeição de 21,50 reais, entre outras reivindicações. A CPTM oferece 6,17 por cento de reajuste e tíquete de cerca de 22 reais.

Imagens da televisão mostraram passageiros revoltados com o fechamento dos portões na estação Corinthians-Itaquera, na linha 3-vermelha.

Eles bloquearam a Radial Leste, principal avenida da zona leste da cidade, furaram pneus de ônibus e impediram a passagem de carros, gerando tumulto na região.

A Polícia dispersou os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo.

(Edição de Eduardo Simões)

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