Grillo Parlante e outras curiosidades sicilianas

Enquanto país produtor, com uma enorme diversidade de regiões, Portugal não aposta forte na importação de vinhos internacionais, o que me faz muitas vezes ter algumas dificuldades para provar as novidades mundiais em tempo útil.

Luiz Horta,

28 Outubro 2010 | 10h14

Valem-me as encomendas via internet, os amigos que tenho espalhados por vários países produtores e, claro, as viagens que vou fazendo por esse mundo afora. Uma das mais recentes foi à Sicília. Já lá vão duas décadas desde que a Sicília voltou a se preocupar com a qualidade dos seus vinhos, parando de vender a granel e passando ao engarrafado. Nessa altura, as castas internacionais da moda ganharam algum terreno, deixando para trás as tradicionais da região que, entretanto, ressurgiram com força e estão fazendo sucesso através dos novos métodos de produção.

Os gregos foram os grandes impulsionadores da produção do vinho na Sicília, há mais de 3.500 anos, mas foram os ingleses os grandes responsáveis pela divulgação e fama do Marsala, um vinho branco fortificado, produzido a partir de castas tradicionais da Sicília, em especial a Grillo, a mais indicada para este tipo de vinhos. No entanto, o aumento qualitativo dos vinhos desta região é especialmente notado através dos brancos, tintos e rosés.

Nos brancos, fiquei bem impressionada com a Grillo (também excelente para os vinhos de mesa), a Inzolia e a Catarrato, que apesar de ter um nome bem estranho produz um branco muito interessante. Já os melhores tintos são provenientes da uva rainha siciliana, a Nero d"Avola, mas também há vinhos com Perricone e Nerello Mascalese que não ficam atrás.

Falando nessa última casta, provei um Tenuta delle Terre Nere que, tal como o próprio nome indica, é originário das encostas do místico vulcão Etna, de vinhedos plantados em elevadas altitudes, o que o torna muito particular. Outro vinho que vale a pena provar, de estilo bem diferente e a um preço mais acessível, é o Grillo Parlante, do produtor Fondo Antico, produzido a partir da casta Nero d"Avola. Esse produtor situa-se na região norte de Marsala e apostou principalmente em castas varietais para se evidenciar, apesar de também existirem na propriedade de 90 hectares as incontornáveis internacionais Cabernet, Syrah, Merlot ou Chardonnay. Mas muitos vinhos interessantes e de qualidade foram provados, sem falar também dos rótulos apelativos, muitos deles bem criativos, que revelam o cuidado que esta região italiana tem em relação à imagem e ao marketing de suas bebidas.

É caso para dizer que a máfia pode estar presente no nosso imaginário quando se fala da Sicília, mas o que lá encontrei foram apenas vinhos.

E que bons vinhos...

 

 

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