Grimpa da araucária vira madeira

Casal de Curitiba desenvolve um resistente compensado a partir do ramo seco que cai naturalmente da árvore

Evandro Fadel, O Estado de S.Paulo

19 Março 2008 | 02h12

Para resolver um problema caseiro, um casal de Quitandinha, região metropolitana de Curitiba (PR), inventou e garantiu a patente internacional de chapas de madeira feitas a partir da grimpa, o ramo seco da araucária (Araucaria angustifolia). As amostras feitas por Silvio Sepkca Moreira e Marli Bosquet resultaram numa madeira bem resistente. Agora, procuram investidores para a primeira fábrica, a ser instalada no sul do Paraná ou em Santa Catarina, onde estão as principais florestas de araucária.A grimpa cai naturalmente do pé e não há necessidade de cortar a árvore. Moreira cita que, entre as vantagens do produto, está o menor gasto de energia para secar, triturar e transportar.BAIXA UMIDADEEnquanto o processo de transformação do pinus (Pinus elliotis) leva 30 dias, Moreira diz que a Produção de Madeira de Grimpa do Pinheiro (PMGP) está pronta em uma semana, pois a umidade é de só 11%. A economia de energia no processo é de 50%. Na compactação do material triturado usa-se também menos resina.Segundo Moreira, são 2% a menos do que na confecção de aglomerados ou do MDF. ''A estrutura física do produto é mais densa do que a madeira de pinus, porque a genética da grimpa é a do nó do pinheiro.''Submetido a um teste, um dos exemplares suportou peso de até 10 mil quilos. Os inventores ainda não definiram qual a linha de trabalho, mas estudam produtos que possam servir para decks de piscina, esquadrias, pisos e paredes.Marli destaca os benefícios ambientais do produto. A grimpa que cai dos pinheiros é recolhida e queimada quando as pessoas querem limpar o terreno. Ela fazia o trabalho de recolhimento na chácara onde possuem 60 araucárias. ''É um trabalho desconfortável.'' Do contrário, é abandonada no meio do mato e leva cerca de quatro anos para se decompor. ''Com o PMGP podemos até desenvolver um projeto de crédito de carbono, tanto para quem recolhe a grimpa, como para quem planta araucária.''Conforme Moreira, para fabricar 1 metro cúbico de PMGP serão usados 1.200 quilos de grimpa e, para produzir a mesma quantidade de madeira com pinus, seria necessário derrubar 3 mil quilos da floresta. ''Queremos incentivar as pessoas que têm pinheiro para que cuidem, e, aquelas que pretendem ter, que plantem porque terão renda'', diz Marli.PINFORMAÇÕES: E-mail marli.bosquet@yahoo.com.br

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