Gringos querem filhos fluentes em português

A Escola Internacional é apenas uma das cerca de cem instituições do País que educam em dois idiomas. Só na capital existem cerca de 70 colégios bilíngues.

O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2012 | 03h05

"E esse número tem crescido exponencialmente, à medida que os benefícios desse ensino têm sido mais reconhecidos", diz Ana Paula Mariutti, presidente da Organização Escolas Bilíngues de São Paulo (Oebi).

O público-alvo desses colégios - muito além dos estudantes estrangeiros que vivem por aqui - é composto de crianças brasileiras cujas famílias querem garantir a fluência na "língua oficial" do mundo, o inglês.

O diretor da Escola Internacional de Alphaville, Ricardo Chioccarello, conta que foi de olho nesse público que a instituição foi criada, em 1999. "No começo, tínhamos quase 100% de brasileiros."

A chegada dos estrangeiros, que hoje correspondem a quase 20% dos alunos, foi gradual e resultado de dois movimentos. O primeiro, a atratividade econômica do País, que trouxe muitas multinacionais aos centros empresariais da região de Barueri.

O segundo fator foi a maior "abertura" dos pais estrangeiros a matricularem os filhos em uma escola com língua inglesa, mas brasileira. Porque, diferentemente das escolas internacionais, que seguem calendário e currículo do país de origem, as bilíngues usam os parâmetros do Ministério da Educação (MEC) do Brasil.

Uma situação que se torna mais corriqueira conforme os contratos de trabalho dos expatriados estão mais estendidos - chegam a passar dos cinco anos - e cresce o número de estrangeiros que pretendem se estabelecer de vez no Brasil.

E, principalmente se os filhos forem ainda pequenos, a escolha pela bilíngue tem se tornado ainda mais frequente. "Muitas famílias querem inserir o filho na cultura do país em que vivem, fazem questão que ele aprenda a língua local", afirma Ana Paula.

Sempre respeitando, é claro, os princípios culturais da criança. Na escola de Alphaville, explica Chioccarello, há cardápios diferenciados para os indianos que, por questões religiosas, não comem carne.

Benefícios. Enquanto isso, o bilinguismo, acusado de causar confusão no aprendizado, tem sido absolvido por pesquisas acadêmicas. Segundo um estudo das instituições Concordia University, York University e Université de Provence, publicado no ano passado, crianças bilíngues não apenas não confundem os dois idiomas que aprendem como apresentam vantagens em comparação aos amigos monolíngues.

Com base na observação de um grupo de 63 crianças de 2 anos de idade, os pesquisadores perceberam que os bilíngues desenvolviam uma melhor atenção e conseguiam se focar mais nas tarefas que executavam.

"O cérebro de alguém exposto a mais de um idioma registra outro código de comunicação, fica mais criativo", defende Ana Paula. "Isso acontece de forma lúdica, sem sofrimento. A criança não vai à escola aprender inglês, ela aprende por osmose, porque lá se fala essa língua."

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