Gripe H1N1 atinge grávidas com mais força, diz estudo dos EUA

Grávidas contaminadas com a nova gripe H1N1 têm risco muito maior de desenvolverem sintomas graves e de morrerem, disseram pesquisadores do governo dos EUA nesta quarta-feira, confirmando uma tendência que preocupa sanitaristas do mundo todo.

JULIE STEENHUYSEN, REUTERS

29 Julho 2009 | 08h44

Embora as grávidas sempre tenham sido mais suscetíveis aos efeitos mais graves das gripe em geral, o novo vírus H1N1 está provocando um número excepcional de vítimas, segundo os pesquisadores.

"Vimos quadruplicar a taxa de internação entre grávidas doentes em comparação com a população geral", disse por telefone Denise Jamieson, do Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA (CDC).

"Também estamos vendo uma proporção relativamente grande de mortes entre grávidas. Notificamos 13 por cento no papel, mas trata-se de um número muito instável, baseado em um pequeno número de mortes relatadas", disse Jamieson, cujo estudo foi publicado na revista Lancet.

O estudo se baseou nas mortes de seis grávidas entre 45 mortes relacionadas ao H1N1 que foram notificadas ao CDC entre 15 de abril e 16 de junho.

Todas as mulheres estavam saudáveis antes da infecção, e todas desenvolveram pneumonia e tiveram de ser colocadas em respiração artificial.

Jamieson disse que 302 mortes provocadas pelo novo vírus H1N1, dito "da gripe suína", foram oficialmente notificadas ao CDC.

"Entre essas, temos informações relativamente completas sobre 266 mortes. E, dessas, 15 eram grávidas, o que representa cerca de 6 por cento", disse Jamieson.

Estima-se que, a qualquer momento, 1 por cento da população dos EUA se componha de grávidas, o que indica que as grávidas "estão definitivamente superrepresentadas em termos da proporção de mortes."

Mas ela afirmou que as grávidas não precisam alterar sua rotina devido à nova gripe. "Não há razão para adiar a gravidez ou para excesso de preocupação. Não temos evidências de que as grávidas tenham maior suscetibilidade ou sejam mais propensas a adquirirem a gripe", disse Jamieson.

"É só que, quando elas têm gripe, ficam com maior risco de terem uma doença severa", acrescentou.

De acordo com a especialista, grávidas que suspeitem terem gripe devem ligar imediatamente para o seu médico, e os hospitais devem reservar salas de espera especiais para as grávidas com suspeitas de terem a gripe, de modo a preservarem as grávidas saudáveis.

Ainda segundo ela, é preciso administrar medicamentos antivirais às grávidas rapidamente, de preferência nas primeiras 48 horas dos sintomas.

Especialistas ligados ao governo recomendam que todas as grávidas sejam vacinadas contra a gripe sazonal (comum), mas apenas 14 por cento delas recebem a imunização, segundo o CDC.

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